Made
in Ventania
Café e quartzito de Alpinópolis ganham o Mundo
28 de agosto de 2006
André
Rodrigues - da Redação do Ventaniaonline
F1:
Ronaldo de Paula, da Planalto Pedras, diz que o mercado externo é muito
promissor.
F2: Decoração em parede feita com o quartzito do
Chapadão.
Verdadeira
obra de arte.
Já
dizia alguns saudosos profetas da economia local e pioneiros na extração
de quartzito em Alpinópolis, como o sr. João Gonçalves
de Carvalho, o Seu Joca, e José Isaac Vilela: "A Ventania
só vai pra frente o dia em que pedra der dinheiro". Quem
poderia imaginar que o Chapadão poderia ganhar a Europa, Estados
Unidos e até o Japão? Isso é o que anda ocorrendo
atualmente. A pedra de quartzito, mais conhecida como pedra mineira,
extraída na Serra do Chapadão, no entorno da cidade de
Alpinópolis, vem sendo exportada para vários países.
Algumas empresas locais já tiveram o sabor de colocar o belíssimo
quartzito alpinopolense em terras estrangeiras, e o volume exportado
cresce a cada dia. A Planalto Pedras, fundada pelo produtor rural e
empresário, Vicente de Paula, em 1967, mandou seu primeiro lote
de quartzito para o exterior há seis anos atrás.
A empresa
comercializa em todo o território nacional e seu principal mercado
é o interior de São Paulo, mas o diretor da Planalto Pedras,
Ronaldo de Paula, filho do fundador da empresa, se mostra bastante otimista
com a possibilidade de exportar cada vez mais. "Nosso carro chefe
ainda é o mercado interno, mas exportar é um bom negócio,
pois a margem de lucro é bem maior", diz.
De acordo com Ronaldo o mercado externo é muito promissor, mas alguns pré-requisitos
são indispensáveis para quem pretende exportar. "Qualidade,
pontualidade e a forma de embalar o produto são exigências rigorosas
do comprador externo. É preciso que as peças sejam padronizadas
tanto na espessura quanto na tonalidade. Para citar um exemplo, na Europa e Estados
Unidos há uma exigência maior por produtos amarelados", explica
o empresário.
Segundo Ronaldo de Paula todos os empresários
do setor, em Alpinópolis, têm produtos com a qualidade necessária
para exportação. Ronaldo dá uma dica importante: "A
grande dificuldade nossa é com relação a embalagem, que ainda
onera muito o preço final. Desenvolvemos uma embalagem bem mais barata
e está sendo bem aceita no exterior. Ao invés da madeira, utilizamos
um tipo de plástico que sai bem mais em conta e o produto fica bastante
apresentável", informa.
Cuidados na hora de receber
Outro ponto destacado pelo empresário é em relação
aos pagamentos. "Já tive problema para receber de um comprador italiano
e acabei levando um calote em 2 contâineres. Recomendo que o exportador
pesquise o cadastro do cliente no mercado internacional. Assim como existe o Serasa
no Brasil, os Estados Unidos e a Europa têm também seus sistemas
de consulta", ressalta.
Ronaldo de Paula diz também que matéria-prima
é o que não falta no município. Ele só reclama do
excesso de burocracia para fazer o desembaraço aduaneiro. "Alpinópolis
tem jazidas de quartzito para a vida toda. O único problema é a
burocracia que ainda é muito grande para quem pretende exportar. Acho que
deveria ser mais fácil, mas podem investir que o negócio é
muito bom", finaliza.
Café:
solo e clima próprios para o cultivo

F1: a placa na entrada da sede do núcleo da
Cooxupé, em Alpinópolis, atenta para a qualidade
F2: José Francisco Garcia, coordenador do núcleo em Alpinópolis.
"Planejamento é tudo".
"Em Alpinópolis temos condições de produzir
cafés de finíssima qualidade". Quem afirma é
o coordenador do núcleo da Cooxupé
em Alpinópolis, José Francisco Garcia. O município
deverá produzir em torno de 130 mil sacas nesta safra, quase
toda colhida, grande parte de café "bebida dura", tipo
exportação. Segundo Garcia, apesar da proximidade da represa
de Furnas, que altera a umidade relativa do ar no município,
fazendo com que o café leve um maior tempo de secagem, Alpinópolis,
assim como todo o Sul e Sudoeste de Minas, tem aptidão em terra
e clima próprios para a cafeicultura.
O coordenador da Cooxupé
diz que Alpinópolis só não pruduz mais café
tipo exportação devido a um problema de falta de infra-estrutura
das "usinas de preparo" que prejudica o manejo do produto
e, conseqüentemente, a sua qualidade. "O maior problema que
anda ocorrendo em Alpinópolis é em relação
aos terreiros para secagem. Eles são pequenos e muitas vezes
inadequados. Ainda tem produtor secando café em lonas e terreiros
de terra batida, o que interfere negativamente no tipo de bebida e em
seu preço final. O ideal são terreiros concretados com
cimento liso. Existem muitos casos por exemplo, onde o produtor colhia
200 sacas, dobrou sua produção mas o terreiro continuou
do mesmo tamanho e fora das normas", salienta Garcia. "O café
sai da lavoura em condições normais, mas, em 95% das ocorrências,
a bebida é perdida no terreiro, onde há acúmulo
de produto".
Outro problema identificado pelo coordenador diz respeito ao manejo.
De acordo com Garcia é necessário mexer o café
de 10 a 12 vezes ao dia. "É preciso que o produtor, mesmo
que seja na agricultura familiar, contrate um ajudante para fazer este
serviço na época da colheita, caso ele não tenha
como realizar o serviço". Garcia diz também que o
produtor tem conhecimento do problema e está consciente, mas
o mais difícil é mudar um sistema tradicional já
instalado na região. Garcia observa que o produtor tem uma grande
dificuldade em inovar e tem a tendência de seguir os modelos utilizados
pelos antecessores.
A coordenação do núcleo em Alpinópolis está
iniciando um planejamento para atuar junto à Prefeitura Municipal
e Sindicato dos Produtores através de um trabalho de mobilização
e informação em benefício de toda a cadeia produtiva
do café. "A Cooxupé
está imbuída na qualidade porque esta é uma exigência
do mercado. É preciso que o produtor dê um passo em direção
à cooperativa. Nosso objetivo é ser parceiro dos produtores
na busca pela qualidade do café e estamos à disposição
para dar todo o suporte. Solo e clima a gente tem, é preciso
melhorar as "usinas de preparo" para que o nosso café
ganhe cada vez mais o mercado externo", conclui.