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Região se organiza para desenvolver piscicultura
07 de fevereiro de 2006

Criação de peixes em tanques-rede tem grande potencial

Com grande potencial para o desenvolvimento da piscicultura, a região de Passos, no Sul de Minas, recebeu, semana passada, a visita do diretor de Desenvolvimento de Aqüicultura da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) da Presidência da República, Felipe Matias.

Durante três dias, ele se reuniu com piscicultores e técnicos da área e fez palestra sobre os programas da SEAP para o setor. Outra palestra foi do coordenador técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Frederico Ozanam de Souza, sobre o panorama da piscicultura na região.

Ao final do encontro, foi montado um plano de ação para o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Piscicultura para a região, formada por 22 municípios, tendo como principais reservatórios de água o de Furnas e o de Peixotos. O primeiro, formado pelos rios Sapucai e Rio Grande, tem área de 1.440 km2 de lâmina de água, e o de Peixotos, que está abaixo do reservatório de Furnas, tem área de 250 quilômetros quadrados de lâmina de água.

"Se trabalharmos somente o reservatório de Furnas com a implantação de tanques-redes, considerando apenas 1% da área concedida por lei, conseguiremos produzir 250 vezes mais recursos do que o gerado pelo café em nosso Estado", afirma Frederico Ozanam de Souza.

KIT FEIRA DO PEIXE

Como forma de aproximação das pontas produtor-consumidor, os piscicultures da região de Passos terão como ferramenta de trabalho kits "Feira do Peixe". São formados por uma barraca, construída em estrutura metálica desmontável, um puçá para coleta de pescado, tanque desmontável com capacidade de dois mil litros para peixes vivos, soprador para oxigenação dos peixes vivos, balcão para manuseio de pescado, recipientes com tampa para resíduos, balança eletrônica, caixa isotérmica para acondicionamento de peixe, avental, luvas para manuseio e facas para cortes e filetagem.

O Programa está sendo implementado por órgãos públicos, prefeituras, associações, instituições de ensino e produtores rurais. É resultado de um encontro recente, em Brasília, com o ministro José Fritsch, titular da Seap,
com uma missão composta por Wilson Heluany, presidente da Associação dos Aqüicultores do Médio Rio Grande (Amorg), Frederico Ozanam de Souza, da Emater-MG, João Dimas Pereira, da Tanrede (empresa fabricante de
tanques-redes, com sede em Passos) e Aurélio Felisale Barbosa, piscicultor proprietário de um pesque-pague de Pratápolis.

Entre as reivindicações encaminhadas ao ministro pela comitiva está a liberação de recursos por meio de um projeto para atender às necessidades dos piscicultores da região. O ministro garantiu a doação de quatro kits, que irão beneficiar os 65 produtores e aproximadamente mil pescadores pertencentes a Amorg, em quatro municípios (Passos, Cássia, Pratápolis e Capetinga). José Fritsch disse que é importante a organização do Estado para que ocorra um desenvolvimento da piscicultura de forma sustentável.

Uma das maiores dificuldades que o piscicultor encontra atualmente, segundo Frederico Ozanam, é o escoamento da produção: "Como é necessário que se tenha o SIF (Serviço de Inspeção Federal) para o escoamento da produção para outros estados e até mesmo para exportação, somente com a construção de um
frigorífico, adequado às normas, o Ministério da Agricultura irá permitir o fechamento da cadeia produtiva. Além disso, o frigorífico irá possibilitar o aproveitamento de outros produtos do peixe, como o couro, a escama e até mesmo resíduo que fica aderido à carcaça, podendo ser aproveitado para a fabricação de almôndega de peixe, o qual pode ser consumido na merenda escolar".

 

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