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04/03/2010 - Nosso grande amigo German, que é médico geriatra em Madri, na Espanha, faz uma homenagem mais do que justa a uma das professoras mais queridas e marcantes da história educacional de Alpinópolis. Quem teve o privilégio de ter sido aluno da DOCE DONA ROSA jamais esquecerá daquela pessoa meiga e do carinho natural que ela sempre teve com todos os alunos, sem distinção.
Dona Rosa...
Qual de nós, Alpinopolenses, nunca respondeu essa pergunta: de onde você é? E mais do que depressa, respondemos ...sou de uma cidadezinha do sudoeste mineiro chamada Alpinópolis... e ver a pessoa franzir a testa, e continuamos respondendo... também conhecida como Ventania, e a pessoa continuar com cara de pensativo... e quando soltamos que é perto de Passos , rapidamente, a pessoa ... ah sim , Passos sim sei onde está. Então concluímos timidamente, pois é... é do lado de Passos...
Os europeus são muito tradicionais, e é para eles um sinal de boa educação perguntar de onde somos e qual é a nossa procedência. Apresso-me em responder que sou da Ventania e de Minas Gerais, aquela que "quem a conhece não esquece jamais"... para mim é um prazer ter nascido aí na nossa querida terrinha, não importa o desconhecido que ela é, o que sim importa é que a minha certidão de nascimento, que foi feita no cartório do Levy (in memoriam), a tenho com muito carinho ....
Agora sim posso começar a escrever da nossa querida Dona Rosa, uma história que aconteceu já faz mais ou menos 35 anos... falar da terra dos Alpes e não fazer menção a nossa querida professora do pré-primário, seria uma "malapraxis"...
Temos gravado, na nossa memória, o barulho que faziam as duas "cumbuquinhas", que eram golpeadas uma contra a outra, para que puséssemos atenção, e deixássemos de "fazer bagunça". Ela fazia com a maior educação , éramos para ela filhos, mais que alunos. Nossa querida Rosa é bem merecedora do nome que leva, sempre nos ensinou com muito amor tudo que tínhamos que aprender, sempre com o sorriso no rosto, sempre tentando fazer de nós pessoinhas melhores.
Sabemos Dona Rosa que em um artigo, não podemos repetir a mesma palavra várias vezes, mas aqui abrimos uma exceção, para deixar plasmado nesse texto, repetidas vezes, as palavras Dona Rosa...
Saiba, Dona Rosa, que fomos (corrija-me se meus cálculos estão errados), mais ou menos, seiscentos alunos que tínhamos seis anos de vida e que tivemos o privilégio de passar pela sua classe de pré-primario do D. JOAO VI, ao longo da sua vida laboral... Não esqueceremos jamais, dos primeiros passos que ali demos com a senhora, naquela salinha de aula, que tinham as mesas e as cadeiras de pequeno tamanho dispostas nas laterais da sala. O único grande que havia ali, era a sua pessoa. Ainda sinto o cheiro, no meu nariz, daqueles lápiz de cera, que foram as primeiras ferramentas de trabalho que todos nós tivemos. Coloríamos com o maior entusiasmo, o calendário mensal que havia perto do "quadro de giz", a direita de quem olhava de frente. Como éramos 30 alunos por ano, ao menos uma vez ao mês, devíamos colorir o quadradinho do dia da semana, e a cor era a que cada um de nós escolhia. Por isso, esperávamos esse dia com muita responsabilidade, para fazer o melhor colorido possível...
Saiba também, querida Dona Rosa, que na pessoa que somos hoje, contou muito o grãozinho de areia que a senhora pôs, educando-nos dia a dia. Somos hoje a continuação daquele princípio, daqueles párvulos que se sentavam com as pernas cruzadas, em circulo, naquele chão vermello e frio que contrastava com o calor humano que recebíamos todos os dias da senhora. Éramos verdadeiros "entusiastas" na salinha do grupo do pré primário.
Hoje já somos 40 aneros Dona Rosa, não vou lhe mentir , tivemos momentos de acertos e de erros na vida , os êxitos prefiro não falar deles, e os erros sim, vieram para ser reconhecidos e melhorar, ainda que seja um pouco , os defeitos que temos...
Já é hora de ir terminando esse texto, mas não antes de deixar bem claro que valeu a pena, Dona Rosa, haver sido seu aluno. Os valores que ali aprendemos procuro vivê-los e ensinar aos meus filhos da mesma maneira. Foi pouco tempo, um ano apenas durou sua "docência" conosco, mas foi o suficiente para marcar nossas vidas...Espero que, na próxima viagem à America, nossa querida pátria amada, e à nossa querida cidadezinha desconhecida do sudoeste de Minas, reencontrar-nos novamente para que possamos matar um pouco esse sentimento tão ruim, às vezes, que se chama "saudades... "
seu aluno ,
Dr. German Mendonça França
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