Para falar comigo: hilda_mendonca@hotmail.com
VOLTAR PRINCIPALBiografia
Hilda Mendonça Silva é natural de Alpinópolis. Fez seus estudos de nível médio e superior na cidade de Passos, onde residiu por muitos anos e iniciou-se como professora. Lecionou também em cidades vizinhas como Itaú e São João Batista do Glória. Em janeiro de 1975 mudou-se para Brasília, lecionando na rede oficial e particular.
É folclorista, contista, cronista e poeta.
É membro fundador da Academia Taguatinguense de Letras e de outras entidades culturais de Taguatinga, cidade onde residiu por quase 25 anos. Pelo seu trabalho na área cultural, a alpinopolense Hilda Mendonça, tem hoje no centro de Taguatinga, no CEM EIT, a biblioteca que leva o nome de BIBLIOTECA HILDA MENDONÇA.Hilda tem trabalhos literários publicados em Goiás e está presente na estante do escritor goiano, segundo dr. Mário Ribeiro Martins, ex Promotor de Justiça em Anápolis-GO.
Tem participação em mais de 30 antologias e artigos publicados em jornais e revistas. Começou suas publicações literárias no jornal O Sudoeste, de José Pellegrino.
Obras publicadas:
Brasília, Cidade e Povo - Fusão do Folclore no DF - em parceria - 1978;
Redemoinho do Tempo - Contos (4 edições) - 1986;
Do Saber ao Fazer - Folclore - em parceria - 1988;
Canções a Quatro Mãos - parceria - 1988
Exercício de Viver - Contos - 1989;Ceia de Natal - Novela Juvenil - 1989;
Sossega, Menino - Juvenil - 1989;
O Galo Despertador - Infantil - 1990;
A Very Sad Christmas - Novela - 2000;
Taguatinga de Corpo e Alma - Histórico - 2000;
Apenas para Sempre e Um Pouco Mais - Poesia - 2002;
O Observador do Mundo - Reflexões - 2003.
Hilda Mendonça
folclorista, contista e poeta
OURO DE AREIA
23 de agosto de 2006Nasci entre montanhas rochosas
onde sopram ventos e tempestades,
à vezes brisa mansa...
Ventania, onde te cerca essa morraria.Edifiquei minha vida entre pedras,
Tive por berço, pedras,
pedra fui
caminhos de pedra pisei
cheiro de pedra respirei,
formei minhas raízes entre rochas
difícil é se afastar.Sei que por onde pisei meus rastros
talvez tenham se apagado
pois no inventário de mim
só pedras encontrei.Noticias vindas de longe,
Amigo Arraes informa que:
O tempo passou
que quem vai adiante não olha à frente
não vê as rochas que pisou.
O vento trabalhou
a lua iluminou
o sol incandesceu
e a areia se compôs.
Não foram pegadas na areia,
Mas a própria Alquimia
Da rocha
Tornada ouro de areia.Hilda Mendonça
CASA DE POETA
18 de maio de 2005A casa do Omar
Nos recebe antes do dono.
Bato à porta: -Ô de casa!
-Que bom que vocês vieram,
diz o Omar.
Portas e corações se escancaram
De par em par, no doce sorriso
De Maria Helena
E
na alegria do OmarNa casa do Omar a poesia é um cantar.
Ouço vozes, doces murmúrios vindos de velhos retratos,
Rimos juntos de outros tempos, tantas lembranças
Ele tem:
É a Samira, a Luíza, Sá Altina, Sinhana, Fortunato,
João Sacristão, e João Eva, turma do tempo do vintém
Minha meninice do "tra banda"
Só o Omar entende, mais ninguém.Omar que borda, que canta,
Que toca violino, declama, ensina,
Escreve livros que encantam,
Sua versatilidade fascina.Sem luxo ou ostentação, na sua pompa singela,
Se você não conhece, è bonita de se ver
E de se ouvir falar.
Pergunte a qualquer passante onde habita a amizade,
Dirão que o endereço é: A casa do Omar.Que a Ventania tem um grande artista,
Não há o que contestar,
Basta conhecer o Omar!Hilda Mendonça
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SER VENTANIASer Ventania requer
um jeito especial de ser,
requer envolvimento com seu povo, suas terras
suas serras.
Ser Ventania é ter orgulho quando indagado:
Naturalidade: Alpinópolis, MG.
- Mas não é Ventania?
.-Só para os íntimos.
Para ser Ventania tem que gostar
de doce de cidra,
de café com quitanda,
de papear com amigos,
de assistir missa,
de acompanhar procissão
ou se de outra crença
pelo menos que muito creia.
É preciso gostar de namorar
A menina a quem se viu crescer,
É ser estudioso e não menosprezar os
que não tiveram a mesma oportunidade.
Ser Ventania é mesmo morando fora
nunca esquecer a sua origem.
É voltar vez em quando pra ver parentes,
amigos, a cidade, o povo.
É sentir um arrepio na espinha
quando ouvir o som de uma Congada.
Ser Ventania é sair da Ventania, mas a Ventania não sair da gente.
Às vezes ser Ventania é também
ter um banzo! Uma saudade funda
Que machuca, como esta que
sinto agora.Eu, Ventania.Hilda Mendonça
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REGRESSOSabe, eu precisava voltar e voltei
Procurando em ti razão nova pra viver,
Foi por isso que voltei, eis-me aqui.Fui chegando e me achegando...
Vi tuas casas, tuas ruas como outrora,
Na janela, pessoas espiando,
Com uma diferença;
São outros rostos agora.Casas se estenderam
Aos pés de tuas montanhas,
Os novos bairros que aqui nasceram
Minha visão já de longe estranha.Desço na praça, igreja Matriz,
Casarões seculares resistem ao tempo,
Minha infância aqui foi feliz.
Passo a revivê-la neste momento.Vou subindo e descendo ruas e praças,
Amando-te, admirando teu jeito de ser
Com as mãos em prece agradeço a graça
De rever esta terra que me viu nascer.Volto com a certeza de que sempre
Haverá alguém para compor-te um canto,
Deus te abençõe Alpinópolis, eternamente!
Deus te abençõe Ventania, meu encanto!.Hilda Mendonça
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Rio Grande de MinasCorre Rio, vai ligeiro
Corre Rio, vai pro mar.
Corre rio, vai ligeiro
Vai logo teus peixes salvar.Peixe velho
Peixe novo
Peixe de todo lugar
Leva Rio, os teus peixes
Lá vem pescador pescar.Corre Rio, vai ligeiro
Corre Rio, vai pro mar.
Lá vem piracema subindo
Peixes vão se multiplicar.Lambari, Corimba,
Dourado,
Leva Rio, vai pro mar.
Foge da garra pesqueira
Vai tua gente salvar.Rio corre corre Rio
Árvores ribeiras calai!
Por um descuido do rio
Veio a rede...
Ai!São João Batista do Glória, março, 1975
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Congadas em VentaniaPor ordem do Senhor Capitão Mor da Cavalhada!
Por ordem do Coronel e Capitão da Congada!
Por ordem das Irmandades de São Benedito;
Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário
Por ordem do Povo Negro;
Pela alegria de todas as raças;
Ao som das caixas crioulas,
Vai começar a Congada em Ventania!Capitães, Marechais e Coronéis,
Reis e Rainhas do Congo;
Moçambiques,
Congadeiros;
Acertem os seus passos.É a exuberância da raça,
É a alegria do povo,
É a pureza da alma,
É a fé no coração.Os Santos pretinhos abençoam do alto dos mastros das bandeiras.
O prêmio é a alegria,
O troféu, a devoção.
E Bum... tibum! tibum!.. bum!.. bum!.. bum!.. bum!.. bum!
Sanfoneiro puxa o fole,
As gargantas se escancaram num som choroso e bonito.
Viola, violão, pandeiro, reco-reco e as caixas:
E bum! tibum! tibum!.. bum!.. bum!.. bum!.. bum!.. bum!
Haja fita pro chapéu
E cetim pra vestimenta,
Haja perna pra dançar.
E bum!... tibum! tibum!.. bum!.. bum!.. bum!.. bum!
Os olhinhos do São Benedito da igreja estão que é só brilho!
Santa Efigênia não se cansa de segurar a casinhaE a Santa Rainha, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
está que é só alegria pelos seus filhos.
Dança o velho, dança o novo, dança a moça do rosto bonito,
Com as crianças vem a certeza
De que a tradição continuará.
E dança moçada, viva o Reisado, que aqui se despede
pra voltar no outro ano,
Mas se um Congadeiro morrer na Congada,
Vai diretinho pro céu.
Hilda Mendonça - Novembro de 2004
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AlpinópolisQuem visita Alpinópolis
Vê da altura
De seus montes o poético ambiente,
Cerca-lhe a serra com ternura
Num abraço de proteção comovente.Lá a montanha abraça a cidade.
O Monte das Oliveiras nos convida
A repensar a vida, com seriedade,
Num instante mágico de religião e vida.Se para o turista é Alpinópolis,
Pra nós seus filhos é Ventania,
Minha alma renovo nesta acrópole
Onde termina o morro e a fé principia.
FAZENDA SERRINHA (Ventania)Poeira, um carro passa veloz,
um urutau geme à beira da estrada
Silêncio quebrado pelo ciciar dos insetos
pela monotonia das cantigas de grilo.
Árvores quietas, no eterno contemplar
Atrás de cada arbusto tem alma de avós espiando
e não é bom que se cate gabiroba.Há uma capelinha ao pé da serra à espera de reza,
reza do terço, reza comprida de não acabar.
Tem na ponta a cruz. Leva vidro d´água pra
molhar o cruzeiro, meninos. Carece de chover!
Seca a mata. A plantação.
Carro de boi cantando, ringindo na malemolência,
preguiça de boi de carro, não há que ter pressa.Melhor receita aqui é o silêncio...
um olho invisível sonda meus passos,
cheiro de tempo carcomido, carcomindo...Baldes de leite pro coalho, pro queijo,
gatos lambendo, lept, lept, lept...
rapadura cheirosa pro bolo, pro dcoce...
A roça, o caboclo, o chapéu de palha,
o remendo da roupa.Vida dizendo que vem vindo mudança
Rede Elétrica já bem próxima.
Breve, a torre, a televisão
e todos passarão a pertencer à Grande Aldeia.








