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Editorial
Cinismo ou desrespeito?
Sindicato cobrou R$ 40, 00
para entrar na Expoal
03 de agosto de 2006 - da Redação do Ventaniaonline


F1: a bilheteria teve pouco movimento. Pela primeira vez um cambista vendia ingresso pela metade do preço da portaria.
F2: os estudantes tiveram que pagar R$ 20,00 devido à manobra do Sindicato.

Passada a euforia da Exposição Agropecuária de Alpinópolis, a Expoal, euforia que aliás tem vários pontos negativos, é hora de fazermos uma breve análise deste que tem se tornado o principal evento da cidade em volume de pessoas. Um dos pontos negativos diz respeito ao preço dos ingressos. Nunca se viu tanta falta de sensibilidade para perceber a nossa realidade econômica. Aliás, pagar R$ 40, 00 para ir a uma festa agropecuária é caro pra qualquer um (foi lavrado um Boletim de Ocorrência por um grupo de estudantes orientados pelo Zé Acácio, ex-funcionário do Sindicato Rural, para apurar a cobrança abusiva). O site Ventaniaonline recebeu a denúncia de que o Sindicato Rural estava cobrando R$ 40, 00 por pessoa na sexta-feira, dia 28 de julho. Fomos lá conferir. O cartaz estava lá confirmando a denúncia. Mas um fato nos chamou a atenção, pois as pessoas que chegavam para comprar ingresso eram logo abordadas por 3 cambistas que ofereciam a entrada pela metade do preço. Normalmente, o que a gente vê, são cambistas vendendo ingressos por preços mais altos. Achamos muito estranho aquilo, pois eles "trabalhavam" tranquilamente sem serem incomodados.

Os cambistas estavam há uns 3 metros da portaria, aí perguntamos à moça contratada pelo Sindicato para ficar na bilheteria se aqueles cambistas não estavam lesando o Sindicato. A moça começou a rir, foi quando percebemos que aquilo poderia se tratar de uma maracutaia absurda contra o direito dos estudantes pagarem a meia-entrada. Voltei aos cambistas, que aliás não tinham nenhuma cara de cambista. Eram dois homens e uma mulher. Os dois homens não quiseram falar com a reportagem do Ventanionline, mas a mulher, uma senhora aparentando mais de 50 anos e de fisionomia bastante tímida, totalmente o inverso de um cambista profissional, nos disse que viera de Passos e que tinha comprado vários pacotes para vender os ingressos separadamente. E óbvio que não deu para acreditar naquela história. A quantidade de ingressos que ela estava nas mãos dava para entrar a Ventania inteira na festa. Não era possível que uma senhora de Passos, com aparência muito simples, se arriscaria tanto comprando uma quantidade enorme de pacotes para vender os ingressos avulsos na Expoal. Perguntamos se o Sindicato a havia contratado para vender ingressos mais baratos, mas ela não disse nem sim e nem não. E se ela quisesse devolver os ingressos não vendidos, o Sindicato aceitaria?

A cambista disse que era a primeira vez que visitava a festa. Depois disso não tive dúvida, aquilo se tratava de uma suspeita de burlar o direito dos estudantes, que tiveram que chiar pagando R$ 20, 00 , o mesmo preço dos "cambistas". O site Ventaniaonline já tinha feito a matéria anteriormente adiantando este fato, o Judiciário local se manifestou positivamente e foi a favor do cumprimento da lei, mas o jeitinho "experto" dos organizadores do evento prevaleceu. Muita gente da região que ficou sabendo do preço na Expoal não compareceu e outros tantos tiveram que retornar porque não tinham dinheiro ou não tiveram coragem de aceitar tamanho desrespeito, que aliás beira o cinismo.

Mas não foi só este ponto desfavorável. Vários carros foram depredados e 3 veículos furtados. Uma caminhonete foi furtada dentro do estacionamento que era cobrado pela organização do evento. O site também constatou que no estacionamento pago os seguranças não estavam checando os bilhetes na saída, qualquer um poderia passar tranqüilamente, sem nenhum impedimento.

Outro fato que chamou atenção foi a pequena quantidade de expositores. Não fosse pela novidade do Biodiesel, a feira seria totalmente lastimável. Empresas tradicionais, que sempre mostraram seus produtos em outros anos, desta vez não marcaram presença. Cada empresa teria que pagar R$ 1600,00 para expor. Isto é uma descaracterização do evento que está mais voltado pra folia do que ao setor agropecuário. Não se vê geração de negócios e o produtor rural fica em segundo plano num evento que deveria ser voltado pra ele.

O torneio leiteiro também vai no caminho inverso da Normativa 51, do Ministério da Agricultura. Durante o torneio o dono da vaca pode injetar qualquer tipo de substância que faça o animal aumentar o volume de leite produzido. De acordo com um respeitado veterinário que estava presente na festa, mas preferiu não se identificar, isso altera a qualidade do leite. A Normativa 51 estabelece, entre outras exigências, que as cooperativas remunerem melhor o leite que tenha mais qualidade. O torneio leiteiro ao invés de ser utilizado em benefício de toda a classe produtora, seja de pequenos ou grandes fornecedores, divulgando e informando sobre a nova legislação de lácteos através de palestras e conferências, se tornou um evento cheio de vaidades pessoais onde prevalece o ego de alguns, o que não acrescenta nada ao setor.

Falta inovação, falta criatividade e acima de tudo, falta valorizar a gente e os produtos da terra. Porque não colocam pelo menos um dia na festa com os artistas e bandas da cidade como a Banda Vendaval, Paulim e Chimanguinho, Lucas Ventania e outros. Ao invés disso trazem uma tal de Banda Tradição que conseguiu desagradar todo mundo, sabe-se lá a que preço. Outra ausência observada foi da Rádio Cooprol, que todos os anos fazia a interatividade do pessoal da zona rural com o evento, em transmissões ao vivo. Este ano quem ficou na roça não pôde saber o que estava acontecendo na Exposição.

Esperamos que estes pontos sejam estudados pela organização deste tradicional evento que foi para sua vigésima-quinta edição e que, no próximo ano, as falhas sejam corrigidas e que tenhamos novidades positivas e uma maior valorização dos produtores rurais, sejam eles grandes ou pequenos e que o direito dos estudantes também seja respeitado.


Nota do site: Todos os pontos abordados neste texto foram detectados in loco, pelo diretor do site, que está aberto ao Sindicato para suas apreciações e qualquer contestação.
André Rodrigues - diretor Ventaniaonline
Contato: andre@ventaniaonline.com.br

 
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