Entrevista
CONEXÃO BRASÍLIA - UM ALPINOPOLENSE NO PLANALTO
David Patrocínio
será membro da Secretaria Nacional da Juventude, em Brasília
26 de outubro de 2006

David Patrocício acompanha o Presidente Lula em recente viagem
a Pouso Alegre
O
jovem alpinopolense, David Patrocínio, 22 anos, foi convidado
a integrar a recém criada Secretaria Nacional da Juventude, órgão
ligado à Secretaria Geral da Presidência. O convite partiu
do próprio secretário geral, o mineiro Luiz Dulci, um
dos braços direitos do Presidente Lula, e teve o apoio de várias
lideranças políticas do estado, principalmente do Sul
de Minas, onde David atua como Assessor Parlamentar da Deputada Maria
Tereza Lara (PT-MG). A partir de janeiro de 2006 David estará
em Brasília, ao lado do também mineiro Beto Cury, Secretário
Nacional da Juventude. David começou a conviver com a política
ainda bem novo, mas foi a partir de 2002 que ele entrou definitivamente
na vida pública quando conheceu grandes nomes do PT Mineiro e
Nacional como Nilmário Miranda, Maria do Carmo Lara e Maria Tereza
Lara. Daí pra frente o jovem tem mostrado grande desenvoltura
ao lidar nos meandros da política regional e agora nacional.
Leia abaixo a entrevista concedida ao Ventaniaonline, em Belo Horizonte.
Qual
será seu cargo em Brasília?
Fui convidado pelo Ministro Luiz Dulci - Secretário Geral da
Presidência da República, a participar da Secretaria Nacional
da Juventude. Durante os meses de novembro e dezembro estarei entre
Belo Horizonte e Brasília e a partir de janeiro vou pra Brasília
em definitivo atuando no setor de políticas públicas para
a juventude, que é ligado a Secretaria Geral da Presidência.
O atual Secretário Nacional da Juventude é o mineiro de
Belo Horizonte, Beto Cury, que aliás ainda não fui apresentado.
O primeiro trabalho me parece que é em Osasco-SP, onde estaremos
na segunda quinzena de novembro.
Na
prática, qual será seu trabalho?
Meu trabalho será voltado para as políticas públicas
da juventude. Onde tiver grêmios estudantis, União Municipal
de Estudantes Secundaristas, Congressos Estudantis por todo o Brasil.
Cada região do país tem pessoas já ligadas ao setor
e, quando necessário, a gente pode se deslocar para onde quer
que seja.
Você
já tem uma certa experiência nesta área...
Atualmente eu faço parte do Parlamento Jovem da Assembléia
Legislativa de Minas, que possui mais de 1000 jovens na Grande BH e
está sendo expandido para o interior de Minas. O Parlamento Jovem
tem como coordenadora a Deputada Estadual Maria Tereza Lara (PT), presidente
da Comissão de Participação Popular, da qual eu
sou Assessor Parlamentar. Fiz parte do Parlamento desde sua criação
pelo deputado André Quintão juntamente com o reitor da
Puc Minas.
Indo
para Brasília, como ficará sua relação com
a região onde você atuava?
Vai continuar. Acho que por eu ser da região a gente tem que
ter um carinho especial, inclusive Alpinópolis, que é
a nossa cidade. Em 2003 eu ajudei a organizar, em Alterosa, o I Congresso
Estudantil do Sul de Minas. A gente espera, a partir do primeiro semestre
do ano que vem, realizar em nossa região o II Congresso com a
participação de várias lideranças dos mais
variados seguimentos. O nosso objetivo é envolver a juventude
porque estamos percebendo que a juventude está desamparada na
região.
Como
você vê a atuação do Governo Federal nos assuntos
relacionados à juventude?
Foi criada agora a Secretaria Nacional da Juventude com o objetivo de
que os jovens façam valer os seus direitos. Muitos de nós
queremos manifestar o interesse em melhorar o país e a nossa
indignação com alguns setores. Através dessa Secretaria
eu acredito que estará sendo possível porque vamos fazer
a interlocução das bases nos municípios com o Governo
Federal e esperamos que essa aproximação seja de fato.
Tive
o apoio de várias entidades e deputados federais, estaduais e
prefeitos do Sul de Minas que me apoiaram nessa indicação
em reconhecimento ao trabalho que desempenhei. Fiquei muito feliz em
ser chamado. Tenho o compromisso de caminhar junto com o Governo Lula,
que foi quem criou o Pró Jovem, que trata de vários assuntos
como a evasão escolar. Em várias localidades esses jovens
recebem R$ 150, 00 por mês para voltar a estudar. O programa já
existe em vários locais e acho que em Alpinópolis ele
ainda não está caminhando.
Como
você vê a classe estudantil de Alpinópolis? Ela é
participativa?
Tive a honra de participar do primeiro grêmio estudantil fundado
em Alpinópolis em 1998, que tinha como presidente o Geléia,
que foi uma grande liderança do movimento estudantil. Mas o movimento
durou só um ano. Em 2003 foi criado um novo grêmio na E.E
Dona Indá, mas acho que faltou apoio. Nós temos agora
essa função de dar apoio a esses movimentos em todo o
Brasil, e porque não na nossa querida Ventania. Nosso papel é
ajudar esses grupos a se organizarem. Primeiro deve se criar os grêmios
estudantis em todas as escolas e depois a União Municipal dos
Estudantes Secundaristas, que é onde eles podem ter um fortalecimento
para reivindicar seus direitos.
Qual
o maior problema do jovem de Alpinópolis hoje em dia?
É a falta de qualificação para o trabalho. Vários
políticos, em outras épocas, falaram que iam levar um
curso técnico para Alpinópolis, mas nunca fizeram isso
e sempre enganaram o povo. Nós conseguimos o Curso Técnico
em Agropecuária, que abriu 102 vagas. Isso foi possível
através do Governo Lula, com o apoio da deputada Maria Tereza
Lara (PT-MG). É uma forma de qualificar a mão-de-obra
no município, pois já saem do curso como gestores da área
rural.
Como
você vê hoje o problema das drogas na cidade?
Temos até alguns grandes amigos que estão envolvidos com
as drogas, mas o que eles precisam é de oportunidades.
De quem
é essa responsabilidade?
Acho que é de todos, tanto do legislativo, executivo e do judiciário,
que têm que caminhar juntos. Não vai ser Governo Federal
e nem a Igreja que vão conseguir resolver isso sozinhos.
Podemos
dizer que você será uma conexão direta de Alpinópolis
com o Planalto, não somente nos assuntos da juventude, mas também
para outras questões de interesse do município?
Claro que a gente vai estar a disposição, mas sempre com
cautela. Vamos tentar contribuir o máximo que pudermos e estaremos
dispostos a dizer não quando for necessário. Eu mesmo,
se não tivesse apoio, seria também mais um que teria vindo
pra Belo Horizonte e voltado pra Alpinópolis. Quem tiver o interesse
em estar buscando novos conhecimentos com o objetivo de melhorar a qualidade
de vida, principalmente da classe mais necessitada, através de
projetos de entidades como associações de bairro e outras,
teremos o maior prazer de assessorar na montagem de projetos para que
sejam viabilizados.
Como
você vê a relação do jovem com a política
hoje?
O que a gente tem notado é que a juventude está bem distante
da política.
Por
quê?
Eu percebo que com esses escândalos que estão acontecendo
no país existe uma tendência dos jovens levarem isso na
brincadeira. Eles levam o Mensalão na brincadeira, então
eu acho que um dos nossos trabalhos é tentar aumentar esse compromisso
do jovem com a política.
Como
ficará a votação da Reforma Universitária?
Eu pude participar de alguns debates sobre o assunto e acho que dificilmente
será votada alguma coisa este ano devido as várias emendas
propostas. Isso deve ser amplamente discutido com vários organismos,
principalmente com a participação da UNE - União
Nacional dos Estudantes. O jovem hoje tem tido mais oportunidade de
entrar na faculdade através do Pro-Uni. Quem estudou a vida toda
em escolas públicas pode entrar na universidade e ter o ensino
totalmente gratuito ou ter 50% financiado. Só este ano serão
mais de 250 mil vagas.
Pra
finalizar. Você pretende ser candidato a algum cargo eletivo?
Vamos com calma. Tenho meus 22 anos de idade e estou há 3 anos
na assessoria da Maria Tereza Lara. Sou de uma família humilde
e trabalhadora de Alpinópolis e aceitei agora esse desafio. Por
enquanto eu não tenho ainda nenhuma pretensão de ser candidato
e quero estar junto ao Governo Federal trabalhando, principalmente,
junto às classes mais necessitadas, que são prioridade
neste Governo. Quem sabe daqui há alguns anos!
Entrevista
concedida ao jornalista André Rodrigues