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"NÃO É O QUE PARECE ... IV"
04/04/2006
(pronunciamento feito na Câmara pelo vereador dr. Vicente em 03/04/2006)


EXMA. SRA. PRESIDENTE DA CÂMARA ANA MARIA DE MIRANDA REIS

EXMA. SRA VEREADORA SANDRA MARA,
EXMOS. SRS. VEREADORES,
NOBRES COLEGAS DESTA CASA

SENHORAS E SENHORES PRESENTES A ESTA SESSÃO

FECHANDO O QUE PODERÍAMOS CHAMAR DE NOSSA TETRALOGIA, GOSTARÍAMOS DE CONCLUIR, NÃO EM DEFINITIVO É VERDADE, NOSSOS PRONUNCIAMENTOS SOBRE AS NOSSAS INSTITUIÇÕES. HOJE GOSTARIA DE TECER ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O MINISTÉRIO PÚBLICO, SOBRE O CONSELHO TUTELAR E A DEFENSORIA PÚBLICA, O QUE ESPERAMOS DESTAS TÃO NOBRES INSTITUIÇÕES, DE TÃO GRANDE RELEVÂNCIA PARA O BOM FUNCIONAMENTO DE NOSSA COMUNIDADE.

O QUE ENTENDEMOS DO PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO? PARA NÓS É O GRANDE GUARDIÃO DA LEI, SEU REPRESENTANTE É O PROMOTOR DO RESPEITO À LEI.

E QUE AÇÕES ESPERAMOS DE RELEVANTE DA INSTITUIÇÃO?

DESTACARIA 3 ITENS PRINCIPAIS:
1) ATENÇÃO ÀS QUESTÕES DO MEIO AMBIENTE, AÍ INCLUÍDO O DESTINO DOS EFLÚVIOS SANITÁRIOS, QUE É UMA QUESTÃO MAIOR E EM ABERTO EM NOSSA CIDADE. NOSSOS ESGOTOS ESTÃO PREOCUPANTEMENTE SENDO DESPEJADOS NO RIO CONQUISTA QUE MARGEIA A CIDADE. NÃO PODEMOS ESQUECER TAMBÉM DE DESTACAR A PREOCUPAÇÃO COM AS QUESTÕES LIGADAS À EXPLORAÇÃO DO QUARTZITO, PREOCUPAÇÃO ESTA QUE JÁ ESTÁ NA AGENDA DA COMUNIDADE E COM REPERCUSSÕES RELEVANTES NA EMPREGABILIDADE DE NOSSOS BRAVOS TRABALHADORES.

2) A QUESTÃO ELEITORAL. EM RELAÇÃO AO RESPEITO À LEGISLAÇÃO ELEITORAL CONSIDERO NOSSO AMBIENTE POLÍTICO UMA TERRA SEM LEI. EU QUE JÁ TENHO PARTICIPADO DE VÁRIAS DISPUTAS, ME CUSTA ACREDITAR QUE . O QUE EU VEJO NA CAMPANHA RESPEITA O QUE ESTOU LENDO NA LEI. PODERÍAMOS CLASSIFICAR O PROCESSO COMO "EM PARALELO À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA". E QUANDO VEMOS O QUE ESTÁ ACONTECENDO E ACONTECEU NO PLANO ESTADUAL E NO FEDERAL PODEMOS AQUILATAR A QUANTAS ANDA A HIPOCRISIA GERAL. ALGUMAS REPRESENTAÇÕES RELATIVAS À QUESTÃO ESTÃO PENDENTES NO NOSSO MINISTÉRIO PÚBLICO LOCAL PRECISAMOS NOS INTERESSAR PELA QUESTÃO, NOBRES COLEGAS.

3) E POR ÚLTIMO, PORÉM MUITO, SENÃO O MAIS RELEVANTE PARA MIM, A QUESTÃO DOS CONSELHOS E A MAIOR DAS QUESTÕES QUE É A PRIORIDADE CONSTITUCIONAL PELA CRIANÇA E PELO ADOLESCENTE, DO ARTIGO 227 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETE AO MINISTÉRIO PÚBLICO ACOMPANHAR, ZELAR E FAZER FUNCIONAR OS CONSELHOS SOCIAIS, ESTA MODALIDADE QUE FOI A GRANDE NOVIDADE DERIVADA DA CONSTITUIÇÃO DE 1988, PERMITINDO A COMUNIDADE COMPARTILHAR A GESTÃO DO BEM PÚBLICO, QUEBRANDO O PODER DISCRICIONÁRIO DO EXECUTIVO EXISTENTE ATÉ ENTÃO. POSSO AFIRMAR COM SEGURANÇA QUE ESTA QUESTÃO NÃO VAI BEM EM NOSSA CIDADE. A PRIORIDADE PELA CRIANÇA E O ADOLESCENTE QUE CONSTA NA LEI NÃO É REALIDADE EM NOSSA COMUNIDADE. QUESTÕES IMPORTANTES NA ÁREA SOCIAL MERECEM ABORDAGEM SOFRÍVEL E LAMENTÁVEL SOB TODOS OS TÍTULO. VAMOS CITAR UM EXEMPLO PRÁTICO, A OFERTA DE DROGAS QUE CAUSAM DEPENDÊNCIA QUÍMICA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES. ESTA CASA, SOB O COMANDO DA PREFEITURA, HOUVE POR BEM BLOQUEAR UMA LEI PARA DISCIPLINAR O FUNCIONAMENTO DE ESTABELECIMENTOS QUE FORNECEM BEBIDAS ALCOÓLICAS, LEI QUE FOI PROPOSTA PELO GRUPO DA PAZ COMPOSTO POR VÁRIAS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E LEIGAS E QUE TAMBÉM VEIO ENDOSSADA POR CERCA DE NOVECENTOS ELEITORES, APÓS AUDIÊNCIA PÚBLICA ACONTECIDA NESTA MESMA CASA E EM QUE A APROVAÇÃO FOI MACIÇA POR UMA PLATÉIA QUE PREENCHIA TODOS OS LUGARES DISPONÍVEIS DESTE SALÃO. NOBRES COLEGAS, ACHEI QUE "PEGOU MAL" A ATITUDE DESTA CASA NO EPISÓDIO, CONTRARIARAM UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA DE CASA CHEIA E LISTAS E MAIS LISTAS DE ASSINATURAS, ALGUMAS COM DEFEITO É VERDADE, COMO SEMPRE É DE SE ESPERAR NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS. ACHO QUE O GRUPO DA PAZ MERECE PELO MENOS UMA EXPLICAÇÃO PÚBLICA DESTA CASA. SE NÃO MESMO UM PEDIDO PÚBLICO DE DESCULPAS.

COMPLETANDO ESTE PRONUNCIAMENTO GOSTARIA DE ENCERRAR COM UMA CONSIDERAÇÃO SOBRE O CONSELHO TUTELAR E APROVEITAR PARA ESCLARECER O QUE REPRESENTA ESTE ÓRGÃO QUE AJUDAMOS A IMPLANTAR EM DEZENAS DE MUNICÍPIOS DESTE NOSSO ESTADO E QUE ACOMPANHAMOS COM CARINHO ATÉ HOJE. NOTAMOS GRANDE DIFICULDADE EM ENTENDER O PAPEL DO CONSELHO TUTELAR. É UM ÓRGÃO NOVO, AUTÔNOMO, NÃO ESTÁ SUBORDINADO EM SUAS AÇÕES ESPECÍFICAS NEM AO EXECUTIVO, NEM AO LEGISLATIVO, NEM AO JUDICIÁRIO NEM AO MINISTÉRIO PÚBLICO. ELE É UMA NOVA AUTORIDADE CRIADA A PARTIR DA NOVA CONSTITUIÇÃO, EM PARALELO COM AS DEMAIS, E O ALCANCE DE SUAS COMPETÊNCIAS É TUTELAR O CUMPRIMENTO DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. AINDA TEMOS UM LONGO PERCURSO ATÉ CONQUISTAR O RESPEITO QUE ESTE ÓRGÃO COMUNITÁRIO MERECE. EM NOSSA CIDADE ELE ESTÁ MAL COMPREENDIDO, MAL PRESTIGIADO, MAL INSTALADO. ESTAMOS NA VERDADE EM DÍVIDA COM O CT, ALIÁS, COM TODOS OS DEMAIS CONSELHOS NA CIDADE.

NÃO PODERIA AINDA DEIXAR DE MENCIONAR AQUI UM OUTRO ÓRGÃO QUE VEIO PARA TORNAR A JUSTIÇA MAIS IGUALITÁRIA, ESTENDENDO-A ÀS CLASSES MENOS FAVORECIDAS, INSTITUIÇÃO QUE AINDA ESTÁ SE ESTRUTURANDO E PARA A QUAL GOSTARÍAMOS DE VER ESTA CASA VOLTAR SUA ATENÇÃO, A DEFENSORIA PÚBLICA, JÁ CRIADA EM NOSSO MUNICÍPIO E CUJO REPRESENTANTE, O DR. RENATO, SE EMPENHA EM PARTICIPAR EFICAZMENTE DOS ASSUNTOS DE NOSSA COMUNIDADE E ESTÁ NOS PRESTIGIANDO NESTA CASA NESTA NOITE.

PASSAMOS ASSIM NOSSA VISÃO GERAL DAS INSTITUIÇÕES DE NOSSA CIDADE, COMO AS VEJO, SEUS PAPÉIS E SUAS ATRIBUIÇÕES. TRAREMOS PROXIMAMENTE QUESTÕES OBJETIVAS, PRÁTICAS, PARA DISCUSSÃO, ENCAMINHAMENTOS E DELIBERAÇÕES. CERTAMENTE QUE A ORIENTAÇÃO PROCURADA ESTARÁ SEMPRE CONTEMPLADA NOS CONCEITOS EMITIDOS NESTES QUATRO PRONUNCIAMENTOS PROFERIDOS DESTA TRIBUNA. É NOSSO ÂNGULO DE VISÃO DA REALIDADE, COM CERTEZA, PORÉM DEMOCRATICAMENTE, NÃO COMPARTILHADO POR MUITOS DE VOSSAS EXCELÊNCIAS.


OBRIGADO,

Vicente de Paula Vilela



"Não é o que parece...III"
31/03/2006
(pronunciamento feito na Câmara pelo vereador dr. Vicente em 27/03/2006)

Exma. Sra. Presidente desta Casa, Ana Maria Miranda Reis.
Exmos. Vereadora Sandra e Vereadores, meus nobres colegas,

Senhoras e Senhores aqui presentes

Já fiz manifestações anteriores, traduzindo como mencionei anteriormente uma presença maior, dizendo de público, nesta função para qual fui escolhido por um segmento da população, meu ângulo de visão da gestão da coisa pública. E hoje gostaria de mencionar alguns conceitos a respeito de um terceiro elemento importantíssimo do tripé da democracia, esse outro pé que seria o Judiciário. Que tem como papel principal, o papel de pacificador, mediador de potenciais conflitos dentro deste tripé e da sociedade. Julgamos também que neste processo, quando harmônico, o Judiciário estaria sujeito à fiscalização desta Casa. Nós, legislativo, temos o papel fiscal de acompanhamento de todo processo gerencial e de condução da nossa comunidade, e este papel fiscal, se estende também ao Judiciário.

Nós temos assistido secularmente o distanciamento do Judiciário em relação ao nosso Poder, quanto a prestação de contas devida à comunidade. Gostaríamos que o Judiciário mantivesse essa Casa informada de sua atuação. Acho que isso seria devido. Certamente o Judiciário existe em função desta comunidade, que nós representamos nesta Casa. O Judiciário é composto de servidores públicos pagos com dinheiro público, na verdade nossos colegas servidores desta comunidade, e a ela todos nós temos o dever de prestar contas. Gostaríamos inclusive de ter acesso ao resultado das correições que são executadas, de tempos em tempos (isso vale também para o Ministério Público). Gostaríamos de saber da tramitação dos processos, das estatísticas do nosso Poder Judiciário.

Nós confiamos no Judiciário. Ele tem um papel fundamental na solução dos problemas da comunidade. É ele que detém, pela lei, as ferramentas necessárias para romper com hábitos e costumes que retardam o bom funcionamento da sociedade. Mas vemos também que na prática esse outro Poder sofre de sobrecarga de atribuições, deficiências estruturais, que dificultam o seu funcionamento. Apesar disso temos recebido, como vereador, reclamações de cidadãos e mesmo até de advogados, que reclamam e clamam por presteza e pontualidade do nosso sistema Judiciário. O outro detalhe e que incomoda particularmente, não é mazela só da nossa cidade, mas é próprio de cidades pequenas, (gostaria de lembrar que através do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, nós temos informação e convivência com o judiciário e o ministério público de todo o estado), na nossa cidade, como em outras, o Juiz se utiliza de casa da Prefeitura, assim como a promotora anterior até pouco tempo o fazia.

Achamos isso inapropriado. Na verdade coloca o Poder Judiciário numa proximidade que eu considero perigosa com o Executivo. Bem lembramos na legislatura anterior o que aconteceu com a nossa promotora de então. Foi pega num pretenso desvio de recursos por parte do executivo para reforma da casa em que morava e a medida que ela tomou correndo, foi alugar um apartamento e sair do foco da questão. Gostaríamos de ver todos esses segmentos importantíssimos no bom funcionamento da comunidade engajados nos nossos assuntos, inclusive com melhor acompanhamento do processo eleitoral. Estou há treze anos no processo eleitoral, já passei por vários juizes e promotores e posso afirmar com segurança, que a legislação eleitoral é grosseira e sistemàticamente desrespeitada no nosso meio pelos participantes. E nós observamos também, desde priscas eras, uma inapetência desses Poderes em fazer a sua intervenção nesse processo, de conformidade com o que está registrado em lei.

Para ilustrar, algumas legislaturas atrás, não nessa, participando do processo, conversando com os presidentes de comitês e coordenadores de comitês, nós tivemos, em uma das legislaturas passadas, uma distribuição de cinco mil cestas básicas na campanha eleitoral. Para um Município que tem quatro mil casas, até dizia, brincando, como eu não recebi, como o juiz provavelmente não recebeu, promotor também não, então teve gente que recebeu mais de uma cesta. E isso passa como se fosse coisa absolutamente normal em relação a legislação. Nesta última campanha, a vice-prefeita disse pelo rádio (gostaria até que isto fosse discutido em público, inclusive pelo Judiciário), o prefeito eleito conduziu mais de seis mil pessoas para tratamento médico em São Sebastião do Paraíso.

Isto representa um terço da nossa população. Se for levado em consideração apenas o número de eleitores, é a metade dos eleitores. Como fica uma questão desta à luz da legislação eleitoral, isso não tem importância? No meu modo de ver, nós deveríamos quebrar essa inapetência para o assunto e passar a discuti-lo à luz do dia, em público, e com certeza modificar essa metodologia de se obter o apoio do eleitorado. Estes aqui mencionados , Nobres Colegas, são sonhos de melhor funcionamento institucional da nossa cidade. Espero que não se transforme o que estou dizendo aqui em zangas egoístas, mas sirva de reflexão para aprimoramentos e avanços que se traduzam em melhor estar para o nosso povo.

Nesse papel proposto de representante do povo, nós deveremos tecer na próxima sessão uma consideração toda especial sobre o Ministério Público, de cuja presença infelizmente passamos algum tempo privados mas felizmente agora estamos podendo contar de novo com promotor já instalado em nossa comarca. E também acrescentaremos algumas observações sobre o Conselho Tutelar. Fico feliz também em ver nesta Casa esta noite o Defensor Público Dr. Renato, que é alguém todo especial, que poderia contemplar, acompanhar o processo, agradeço sua presença, o prestígio que ele traz a esta Casa.

OBRIGADO,

Vicente de Paula Vilela


NÃO É O QUE PARECE...II
27/03/2006
(pronunciamento feito na Câmara pelo vereador dr. Vicente em 20/03/2006)


Na última sessão desta Casa discorremos sobre a nossa posição em relação ao momento vivido pela Câmara e emitimos alguns conceitos sobre o que julgamos ser a correta condução no trato da coisa pública. Gostaria de fixar posição também em relação ao papel e à postura do Executivo em nossa Comunidade, como a vejo. É da análise da ciência política moderna a divisão didática em três grupos quanto ao método utilizado para se gerir o bem público e também para se atingir o Poder.

São eles:
1) O burocrático, em que se seguem cegamente as regras estabelecidas, sem flexibilidade.
2) O participativo, em que se avança para transparência e abertura totais, permitindo a participação efetiva de toda a sociedade, privilegiando o coletivo em detrimento do individual e do grupal. É o mais difícil de se aplicar, porém o que é realmente eficaz e representativo dentro do regime democrático e que se traduz em avanço real relativo da sociedade.
3) O último é o método dito tradicional. Fundamenta-se na política de troca de favores, é clientelista, trabalha o lado egoísta do cidadão, de vantagens individuais com perda do foco no coletivo. Este método geralmente depende de indivíduos com apelo populista, que operam psicologicamente no que poderíamos chamar "em TOC (transtorno obsessivo-compulsivo)". Posso assegurar que o método de ação que estamos assistindo em nossa cidade é o número 3.

Lamento informar que este método infelizmente, apesar de todo o esforço que se possa despender, não dá certo. Já foi testado N vezes em todo o mundo. É próprio de sociedades subdesenvolvidas. Há cerca de treze anos participei de uma disputa política à prefeitura local e já falava o que vou dizer hoje aqui: Este método não tem jeito de dar certo. Na época a população fez escolha pelo ex-prefeito José Vicente da Silva, confiante que este jeito e este caminho seria, o correto, mas o tempo se encarregou de explicitar o fracasso. Lembrem-se bem de como havia entusiasmo, na época, os apoiadores, muita gente de bem, parentes meus mesmo, achando que tinham descoberto o Santo Graal. E o que vimos foi o atraso. Isso gera o atraso. Atraso político, econômico e social. Perdemos São José da Barra, e, da forma que as coisas estão caminhando, ela vai acabar nos ultrapassando, nos deixando bem para trás. E nós estamos repetindo o erro. Trocamos seis por meia dúzia. As 3 pragas da democracia a que se referia o Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Clientelismo, o Fisiologismo e o Nepotismo vicejam em nosso meio (vejo aqui na platéia a presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais, Nilce que me lembro bem participou e pode testemunhar sobre os conceitos de gestão pública aqui por mim externados e sobre o qual assistimos aqui mesmo nesta cidade uma palestra do brilhante educador, um dos melhores do Brasil, o Professor Rudá Ricci).

Não conseguimos achar o nosso foco. Trocamos o uso da saúde de Passos como moeda de troca política pelo uso do esquema de São Sebastião do Paraíso. Os métodos de ação política são os mesmos. Vejo na platéia também o colega de infância Marcos, conhecido como Sabiazinho, ex-colega de partido também, pois bem, em reunião partidária há alguns anos com sua presença já dizia me explicando para ele que eu vivia em uma cidade que considerava corrupta mas que não gostaria de morrer em uma cidade corrupta, este era o sentido de minha participação política no sentido de sua transformação. Achamos isso grave. Assistimos ao mesmo processo de manipulação da Câmara que praticava o antigo prefeito. A Câmara não tem identidade própria, anda total e flagrantemente pela mão do Executivo. Que escolheu e indicou até os presidentes de comissões.

Vamos relatar um fato ilustrativo: No dia da posse e da escolha da mesa e das comissões, em plenário, me aproximei para cumprimentar dois nobres colegas, amigos até então, que estranhamente se afastaram rapidamente de mim, constrangidos, quando então percebi atrás o Sr. Prefeito, que logo em seguida reuniu os vereadores em um canto e articulou as escolhas da casa. Imaginem cena parecida no Congresso Nacional ou na Assembléia Legislativa. Outro fato que me causou profunda estranheza, no dia da sessão solene que fazia homenagem a cidadãos de nossa cidade, a condução dos trabalhos da Casa foi comandada pela Vice-Prefeita e teve como mestre de cerimônias o chefe de gabinete do Excelentíssimo Sr. Prefeito. 30% do orçamento municipal são manejados diretamente pelo Prefeito, não dependem do aval da Câmara. Em São José da Barra este índice é zero e em Bom Jesus da Penha na última Legislatura era de 2%.

Encerrando o nosso pronunciamento, gostaríamos de esclarecer que não se preocupem muito com estas colocações, que na verdade visam o plano geral, não são finalìsticamente para denegrir ou ofender ninguém em particular, mas que se tornarão freqüentes, temos que chamar à discussão para estes aspectos, estivemos um ano inteiro observando o panorama, temos experiência acumulada em longos anos de participação, participação que oportunamente gostaria de verter para um livro que poderia ilustrar para as gerações futuras como se dava nosso harmonioso convívio. Obrigado, me desculpem, mas na próxima sessão gostaríamos de tecer algumas considerações sobre a inserção do terceiro poder da democracia em nossa comunidade, o poder Judiciário.

OBRIGADO,

Vicente de Paula Vilela


NÃO É O QUE PARECE...I
21/03/2006
(pronunciamento feito na Câmara pelo vereador dr. Vicente em 13/03/2006)


Senhora Presidente,

Excelentíssimos Vereadoras e Vereadores, Senhoras e Senhores aqui presentes. Decorrido cerca de um ano do início desta nossa legislatura, gostaríamos de pontuar algumas questões básicas, fundamentais de todo nosso engajamento político. Como primeiro plano quero afirmar que não me vejo como ator político, me classifico mais como um ator social. Não construí patrimônio pessoal, tenho apenas uma casa financiada e um carro ano 2002 na modalidade de leasing. Meus parcos recursos foram canalizados para a área social, não em troca de votos, mas através das instâncias corretas, principalmente os Conselhos setoriais. E o objetivo primeiro é de me apresentar como um agente de transformação em nossa Comunidade, principalmente agente de remodelação do perfil ético, moral, um repensar dos hábitos e costumes, o que permitiria um avanço social importante, uma projeção no tempo, em direção ao futuro, do nosso desenvolvimento humano, social e econômico, permitindo acesso igualitário às decisões bem como à partilha dos recursos e dos bens coletivos desta cidade.

É com foco nesta proposta de trabalho que me apresentei e fui escolhido representante de um segmento da nossa comunidade. Gostaria de compartilhar com Vossas Excias. minha leitura dos ideais de uma boa gestão da coisa pública. Retornemos aos fundamentos da Democracia, que para bem funcionar deve se escorar harmonicamente em 3 pilares, O Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos autônomos e com competências bem definidas, porém em permanente equilíbrio interdependente.

Não há que se avançar um sobre a competência do outro senão assim se estabelecerá assimetria perturbadora. E as distorções comprometerão todo o processo trazendo como conseqüência o mal funcionamento e o atraso político e social. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, em seu primeiro mandato, como sociólogo que era, já pontificava em relação à gestão pública: 3 pragas ameaçam a Democracia e devem ser combatidas com afinco: O Clientelismo, o Fisiologismo e o Nepotismo. Torna-se impossível classificar como boa práxis uma gestão pública que permita vislumbrar, de uma forma ou de outra, traços que sejam, algum dos elementos elencados pelo sábio Ex-Presidente. E dentro do tripé democrático, cabe a esta casa, ao Legislativo, o precípuo papel de fiscalizar os outros poderes (aí incluído o Judiciário), sendo de difícil aceitação qualquer elemento que possa cercear o potencial fiscalizatório desta Casa.

Nada de pessoal existe nesta minha colocação, já encerrando esta fala, mas acho de difícil aceitação que a Presidência da Casa seja exercida pela sobrinha do Prefeito. É em nome da ética política que venho externar minha modesta opinião de que a nossa querida Ana Maria, competente, mas por ser sobrinha do atual Mandatário do executivo deveria se considerar eticamente impedida de presidir esta Casa. Na próxima sessão gostaríamos de falar sobre o Executivo, sobre como vemos sua atuação, que não nos parece tão rósea assim, se analisada à luz do que foi dito acima.

OBRIGADO,

Vicente de Paula Vilela

 
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