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A alpinopolense, Maria Conceição Alves de Lima, atualmente é professora titular da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, atuando em pesquisas lingüísticas e pedagógicas, bem como na docência (pós-graduação e graduação).

Titulação:



 

 

TEXTOS DA PROFESSORA UNIVERSITÁRIA CONCEIÇÃO ALVES DE LIMA................................PÁGINA 1 - PÁGINA 2



APROXIMANDO-SE DO QUARTO DÉBUT

PENAS

Tal qual uma águia,
Vou deixar minhas penas
... pelo caminho !

Não as recolham !
... Muito menos,
tentem grudá-las de novo
em minhas asas

ELAS NÃO SE ENCAIXAM MAIS !...

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SER ESPIRITUALMENTE INTELIGENTE
1ª quinzena de novembro

Maria Conceição Alves de Lima

Se você ousa sonhar em atender os anseios de seu coração...
Se você se arrisca a parecer tolo por amor, por sonhar, pela aventura de estar vivo...
Se você pode suportar a dor sem escondê-la ou reprimi-la...
Se os trancos da vida não o tornaram fechado ou murcho, mas serviram para abrir seu coração e mente...
Se você consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo...
Se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma...
Se consegue ficar sozinho consigo mesmo e gostar da companhia...
Se você pode viver com o fracasso seu e dos outros, se pode levantar após uma noite de sofrimento e desespero, cansado e ferido até os ossos e, mesmo assim, ser capaz de fazer o que tem de ser feito...
Se for capaz de se sustentar a partir de dentro, quando tudo o mais em volta se desmorona...
Se você pode aceitar autenticamente a alegria sua e dos outros, se pode se entregar à felicidade sem pensar em cautela, em ser realista, sem lembrar das limitações humanas...

ENTÃO, VOCÊ ENTROU, DE FATO, NA SENDA DA INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL!

Em artigos anteriores, vimos que a INTELIGÊNCIA INTELECTUAL (QI) é aquela que usamos para solucionar os problemas lógicos ou racionais da existência; a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (QE) nos dá a percepção de nossos sentimentos e dos sentimentos dos outros. Agora, no limiar deste terceiro milênio, um conjunto de dados científicos (aliás, ainda não bem aceito pela maioria), mostrou que há um terceiro "Q", o QS - QUOCIENTE ESPIRITUAL (Spiritual Quocient), que diz respeito a um outro tipo de inteligência, através do qual abordamos os problemas de sentido e de valor e que nos permite colocar a nossa vida num contexto mais amplo, o contexto ético ou o senso moral universal.

Pode-se dizer, hoje, que uma máquina (o computador) tem QI (aliás, elevadíssimo!), que os animais, não raro, possuem um alto QE; entretanto, somente o ser humano é que pode possuir o QS. Assim, a INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL é que nos permite ser criativos, distinguir entre o bem e o mal, é que nos induz a sonhar e a aspirar a um ideal de vida, fornecendo-nos um centro para crescimento e transformação, um foco ativo, unificador e gerador do sentido da vida. Trata-se, portanto, da inteligência da alma.

É interessante notar que a inteligência espiritual não precisa manter, necessariamente, uma conexão com qualquer religião, embora, para a maioria das pessoas o QS somente consiga se expressar através da prática religiosa. Trata-se de uma capacidade interna, inata de todos os homens, qualquer que seja a sua crença (ou descrença). São as experiências pessoais baseadas no amor, no comprometimento ou na introvisão profundos. Entretanto, esse centro gerador de sentido, esse verdadeiro centro do "eu", o sentido final de toda a existência, pode perfeitamente ser chamado de DEUS.

A nossa grande dificuldade diz respeito ao que fazer para sermos espiritualmente inteligentes numa cultura espiritualmente burra. Talvez, o primeiro passo, até agora, em direção a uma inteligência espiritual seja compreender que muitos podem ser os caminhos a percorrer e que, no curso de nossa vida, devemos ou podemos percorrer vários ou mesmo todos eles. Os estudiosos do QS nos apontam seis caminhos ou sendas:

" o caminho do DEVER;
" o caminho dos CUIDADOS e do CARINHO;
" o caminho do CONHECIMENTO (que antecede qualquer SABEDORIA);
" o caminho da TRANSFORMAÇÃO PESSOAL;
" o caminho da FRATERNIDADE;
" o caminho da LIDERANÇA SERVIDORA.

O trabalho a ser feito em cada caminho é específico dele: por exemplo, o caminho dos cuidados e do carinho requer que passemos do desamor ou do amor egoísta e ciumento para o amor altruísta, sustentador. O caminho do dever exige que façamos o certo não apenas por medo, hábito, ou comodismo, mas motivados por uma crença sagrada e pela opção autêntica por essa crença. O caminho do conhecimento parte da reflexão, passa pela compreensão e chega à sabedoria.

A essência do trabalho psicológico e espiritual para aqueles que tomam o caminho da transformação pessoal consiste em explorar os picos e vales de nós mesmos, fundir as partes separadas de nosso eu fragmentado e formar, com elas, uma pessoa inteira (íntegra) e independente. É uma jornada que exige uma fé incrível, uma aceitação total e a superação de todos os medos.

O caminho da fraternidade passa necessariamente pela justiça e pela igualdade de tratamento devida a todo e qualquer ser humano indistintamente. E isso requer que aceitemos e respeitemos todos os outros, independentemente se eles são nossos amigos, conhecidos ou não. Também, todos os grupos humanos precisam de líderes que lhe forneçam foco, finalidade, táticas e senso de direção. Os verdadeiros líderes servidores fazem acontecer coisas julgadas impossíveis pela maioria. Por isso, a liderança servidora talvez seja o mais nobre de todos os caminhos.

Vivemos um momento do desenvolvimento sócio-histórico da humanidade em que a inteligência espiritual tornou-se a dimensão mais importante para a sobrevivência da humanidade. A solução para a violência interna e externa, para as terríveis desigualdades econômico-sociais, para a destruição acelerada dos recursos do planeta e para tantos outros males que assolam a humanidade, passa necessariamente pelo desenvolvimento do QS.

Em termos pessoais, o crescente índice de depressão que ocorre em todas as faixas de idade e o vazio existencial que desnorteia os jovens, que inferniza a vida dos idosos e que põe os adultos a correr como loucos em busca do dinheiro e do prazer, somente serão contidos pelo despertar da inteligência espiritual.

Não se pode mais ignorar ou desacreditar que o ser humano tem em seu interior uma fonte de sabedoria universal e divina; sempre que o mesmo estabelece um bom contato com essa fonte, ele consegue se desenvolver, superar problemas, amadurecer e, acima de tudo, arranjar forças para lutar por uma vida melhor. Desligado dessa fonte, a sua vida tende a ficar cada vez mais limitada e pobre, a pessoa fica sem energia e direção para melhorar sua vida, há uma maior facilidade em adoecer, os desequilíbrios tendem a ser cada vez maiores.

O que todos nós, seres humanos, sempre procuramos é alcançar a felicidade e a auto-realização. Se Deus (ou o universo) nos deu uma inteligência espiritual, cabe a nós procurarmos aprender com ela, permitir que essa fonte de sabedoria e de energia que pulsa dentro de nós atue a nosso favor. Se nos fecharmos a ela, isso fatalmente vai significar mais sofrimento. Mas, se intensificarmos o contato com a mesma, com certeza encontraremos mais harmonia (em nós e no mundo), aprenderemos como perdoar, como amar e como nos ajudar. Desta forma, o caminho se torna mais rápido, mais suave e mais eficiente.

Chegou, portanto, a hora de acreditar, de ir ao encontro dessa fonte, saber escutar o que ela nos diz, avaliar e colocar em prática o que se aprende. Como nos ensina o poeta Gilberto Gil:

"Andar com fé eu vou,
que a fé não costuma falhar...
Mesmo para quem não tem fé,
a fé costuma acompanhar..."


A PROPÓSITO DO "DIA DO PROFESSOR"
2ª quinzena de outubro
Maria Conceição Alves de Lima

DETONAR A ESCOLA, DELETAR O PROFESSOR, BOICOTAR O ALUNO...

Vamos detonar a escola?
Vamos deletar o professor?
Vamos boicotar o aluno?

Garanto que tem muita gente que vai adorar fazer isso, que mal pode esperar por esse momento!

DETONAR A ESCOLA...

CENÁRIOS FUTURISTAS

Cenário 1:
"Um professor tentava formar 25 alunos ao mesmo tempo, ou 40, ou ainda mais!". Isso será informado aos cibervisitantes de um cibermuseu da educação, enquanto assistem com emoção a um filme dos anos 1980, reconstruído em 3-D, sobre um professor que dá sua aula diante de uma lousa. Rirão diante das imagens do ano 2000, época em que os computadores precisavam de uma tela e de um teclado, 30 anos antes da implantação de um chip no cérebro de todos os recém-nascidos.

Cenário 2:
Uma classe virtual, em que os alunos encontram-se fisicamente dispersos por todos os cantos do planeta, cada um deles falando a sua própria língua e compreendendo todas as outras, graças a um chip de tradução simultânea...

No futuro, a escola pode desaparecer e o ensino pode ser mencionado como uma daquelas profissões do passado, tão comoventes por terem caído no desuso.

"QUANDO RUBEM ALVES DESCOBRIU A ESCOLA DA PONTE"
"Como são produzidos liquidificadores, máquinas de lavar roupa, computadores, automóveis? São produzidos numa linha de montagem. Ao lado dela estão operários. Cada operário tem uma função específica. Nenhum operário faz o objeto, individualmente. Cada operário faz uma única operação: juntar, soldar, aparafusar, cortar, testar. Nossas escolas são construídas segundo o modelo das linhas de montagem. Depois de passar por esse processo de acréscimos sucessivos (...) o objeto original que entrou na linha de montagem chamada escola (até aquele momento ele chamava 'criança') perdeu totalmente a visibilidade (...) A criança está, finalmente, formada, isso é, transformada num produto igual a milhares de outros. É mercadoria espiritual que pode entrar no mercado de trabalho. São extraordinários os esforços que estão sendo feitos para fazer nossas linhas de montagem chamadas escolas tão boas quanto as japonesas. Mas o que eu gostaria mesmo é de acabar com elas. Impossível? Eu também pensava. Mas fui a Portugal e lá encontrei a escola com que sempre sonhara: a Escola da Ponte. Me encantei vendo o rosto e o trabalho dos alunos: havia disciplina, concentração, alegria e eficiência".

As palavras acima foram proferidas por Rubem Alves, quando descobriu a escola com que sempre sonhou, sem imaginar que pudesse existir, a Escola da Ponte, num vilarejo de Portugual, a Vila de Famalicão. Quando a viu, Rubem Alves se alegrou e repetiu para ela as palavras de Fernando Pessoa para a mulher amada: "Quando te vi, amei-te já muito antes". A Escola da Ponte é aquela que não tem sala-de-aula, não tem grade curricular, não divide o ensino em disciplinas estanques. É aquele em que os próprios alunos elaboram, responsavelmente, as normas de convivência na escola e participam ativamente da escolha de seus conteúdos. É uma escola que somente trabalha à base de projetos de ensino. Quando falo sobre ela, minha cabeça fica a mil, alimentando o sonho de fazer uma escola parecida... Mas... você matricularia seu filho numa escola assim?

Segundo Philippe Perrenoud (2002), a meta principal da escola não é mais o ensino do conteúdo, mas sim o desenvolvimento de competências, que se realizam através de habilidades. Para se desenvolver tais habilidades é que se recorre ao conteúdo das disciplinas. Assim, o que resta de mais valioso, o que permanece depois que o tempo apaga ou torna superado um conteúdo são as competências pessoais que ele ajudou a desenvolver...
Está em nossas mãos, agora, a possibilidade de detonar a escola de portas fechadas e cercadas por muros, para deixar nascer a escola da multiplicidade, do hipertexto, do link, das janelas abertas e das salas de aulas conectadas com o mundo.

A ESCOLA ESTÁ MORRENDO... VIVA A NOVA ESCOLA!
DELETAR O PROFESSOR...

Estou falando, é claro, do professor-transmissor de conteúdos, parado no tempo, aquele do caderninho manjado, do livro ensebado, das conhecidas fichas de aula que serviam para todas as turmas, ano após ano...

Aquele que pensava que, mesmo apresentando as coisas de maneira maçante e tradicional, trazia novidades para pessoas que "não sabiam nada".
Como será o professor do próximo milênio? Acredito que ele será um estrategista da aprendizagem. Alguém que vai precisar conhecer a psicologia e a ecologia cognitivas de seu tempo (em outras palavras: saber como o aluno aprende), para poder criar estratégias de aprendizagem no ambiente do computador.

Pierre Lévy usa duas expressões interessantes para falar do professor: arquiteto cognitivo e engenheiro do conhecimento. Traduzindo: aquele profissional responsável por traçar e sugerir caminhos na construção do saber.

As competências são formadas passo a passo, segundo um processo contínuo. Assim, a aquisição de competências pelo professor começa no curso de formação e continua durante toda a sua vida profissional. "Há competências a serem atualizadas e ressignificadas. Há novas competências a serem desenvolvidas" (PERRENOUD, 2000, p. 169).

Esses novos papéis vão exigir mudanças nos cursos de formação docente, abertura permanente ao novo, visão crítica na seleção das informações, sintonia com os desafios de cada momento e atenção constante aos processos educativos, tanto quanto aos resultados.

Só podemos imaginar que, neste novo milênio, vai ser muito mais difícil ser um mestre...

POR UMA PEDAGOGIA DO AFETO
Pedagogia do afeto, termo criado por CARLOS FRANÇA (2002), fundamentado na Psicologia Transpessoal, para designar relações interpessoais de afetividade em sala-de- aula.
Educar não é apenas repassar informações ou mostrar um caminho, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É saber aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. PAULO FREIRE (1997), no livro Professora Sim, Tia Não reafirma a importância das componentes afetivas e intuitivas na construção do conhecimento: "O que eu sei, sei com o meu corpo inteiro: com minha mente crítica, mas também com os meus sentimentos, com minhas intuições, com minhas emoções".

É preciso, pois, conciliar as três perspectivas do desenvolvimento: a cognitiva, a emocional e a interpessoal:
" Aprender com alegria e criatividade.
" Desenvolver a inteligência emocional.
" Aprender a relaxar.
" Fazer a ser afetivo.
" Aprender a conviver (a importância das relações interpessoais).
" Aprender a cooperar (o papel da dinâmica de grupo).
" Aprender a importância do sonhar...

Por experiência própria, as pessoas sabem como é bom atuar num ambiente em que prevalece a simpatia entre os participantes. Portanto, é preciso promover relações simpáticas na sala-de-aula, trabalhar o conteúdo das disciplinas num clima de harmonia emocional, ou seja, sem ansiedades ou medos desnecessários, permeado por relacionamentos interpessoais afetivos, cooperativos e otimizados. Em suma, uma pedagogia do afeto que leva ao prazer de ensinar e aprender conteúdos, num clima de equilíbrio emocional decorrente de relações interpessoais harmoniosas.
BOICOTAR O ALUNO...

Nesta nova era digital mudam as nossas formas de pensar e, portanto, de aprender. Isso não é inédito na humanidade: quando a escrita surgiu, o mundo começou a pensar diferente, a organizar as idéias de outro modo e a formar novas visões da realidade. Nossa época é tão decisiva na história como aquele momento. Cabeças deixam de ser analógicas para se tornarem digitais. Como se estrutura seu pensamento?

Boicotar aquele aluno passivo, dependente, descompromissado, que não quer nada com nada...

Boicotar o aluno agressivo, egoísta, mal-educado...

Em contrapartida, formar, em vez de receptores passivos de conteúdos, seres mais capazes de atribuir novos sentidos para a realidade; pessoas que saibam criar novos saberes, a serviço da humanidade.

BIBLIOGRAFIA E WEBLIOGRAFIA SUGERIDA PARA NÓS, PROFESSORES, ENTENDERMOS MELHOR ESTA QUESTÃO
ALVES, R. A Escola da Ponte. Disponível em: http://www.rubemalves.com.br/index.htm. Acesso em: 28 jun 2004.
FRANÇA, C. Força Interior. 3. ed. São Paulo: Pensamento, 1995.
_____Um Novato na Psicopedagogia. In: SISTO, F. F. et al.(org.) Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar, 7. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002a.
_____.Didática Transpessoal: facilitando o ato de aprender e de ensinar. Tese de Livre Docência. Faculdade de Educação da Unicamp, 2002b.
FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho d`Água, 1997.
GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. Lisboa: Temas e Debates, 1997.
_____. Trabalhar com a Inteligência Emocional. Lisboa: Temas e Debates,1999.
KATHLEEN, K. A Terapia do Abraço. São Paulo: Pensamento, 2000.
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. São Paulo: Editora 34, 1995.

_____. O que é virtual? Editora 34, São Paulo: Ed. 34, 1996.

_____. Cibercultura. São Paulo: Editora 34. 1999.
MAUCO, G. Educação da sensibilidade na criança. Ensaio sobre a evolução da vida afetiva. Lisboa: Moraes Editores, 1986.
MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. 7. ed., Campinas: 2001.

MOREIRA, M.A.; MASINI, E.F.S. Aprendizagem significativa : a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2002.

PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

_____. A família em rede: ultrapassando a barreira digital entre as gerações. Lisboa: Relógio d' Água, 1996.

PERRENOUD, P. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: perspectivas sociológicas, Lisboa: D. Quixote, 1994.

_____. Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto Editora, 1995.

_____. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999.

_____. Pedagogia diferenciada. Porto Alegre: Artmed , 1999.

_____. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.

_____ et al. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.

RAMAL, M. C. O professor do terceiro milênio. Disponível em www.revistaconecta.com/ . Acesso em 12 de maio de 2004.

SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo. Porto Alegre: Artes Médicas
Sul, 2000.


PÃO, CIRCO... E DEPOIS MUITA "GRANA"
2ª quinzena de setembro de 2004

Muito esperto mesmo aquele velho Imperador Romano, que, com muito cinismo e "inteligência", tentava tranqüilizar um de seus acólitos preocupado com o abuso do poder político: "Não tem problema, meu caro! Vamos dar ao povo pão e circo, que eles ficarão tão contentes e distraídos e nem notarão o que fazemos ou deixamos de fazer!".

Novamente é tempo de campanha eleitoral no nosso país e a velha estratégia do pão e circo aparece com toda a força, de todos os lados: os showmícios aí estão para "atrair" a multidão festeira, onde a "fala" dos candidatos é apenas tolerada com indiferença pelo povão (só aplaude mesmo a turma da claquete, contratada para bater palmas, agitar bandeiras e gritar slogans), mesmo porque o conteúdo dessa fala costuma ser o mesmo de sempre: promessas eleitoreiras sem pé nem cabeça, que nunca vão ser mesmo cumpridas. O importante, no showmício, é a cantoria dos artistas contratados, o "bailão" que vem depois, e o "agradinho" que se faz para as "crianças", do tipo bala, pipoca e outros.

Eis aí o circo armado: os artistas contratados para animar o show são a atração principal; os candidatos são os atores "da casa", que fazem o papel secundário. Come-se pipoca, bala e algodão doce, soltam-se balões e se agitam bandeirolas. A turma da festiva circula para lá e para cá, paquera à vontade, feliz com a festança gratuita. Os palhaços somos nós, os eleitores sérios, que pagamos rios de impostos para manter essa parafernália político-eleitoreira.

E o pão? Este fica por conta das benesses que os candidatos têm de fazer aos eleitores, sob pena de "perderem" o voto: a doação de algumas cestas básicas para os mais lamurientos, o pagamento de uma conta de luz ou água aqui, de um botijão de gás ali, de uma receita médica aviada acolá, uma consulta médica "gratuita", uma "ajudazinha" para reformar a casa, o uniforme para um timinho de futebol, a promessa de uma "colocação" no serviço público e por aí vai...

A questão da grana fica mesmo é para depois das eleições. Se o candidato foi eleito, os seus cabos eleitorais até podem receber alguma, embora o calote não esteja descartado mesmo no sabor da vitória. Passada a campanha, empossado o eleito, garantida uma bem remunerada colocação (veja bem, colocação, o que não significa nem emprego e muito menos serviço) para uma elite de apoio do candidato, resta ao povo amargar a sua própria derrota como cidadãos.

São anos de serviço de saúde deficiente, de educação relegada, de segurança inexistente, de ruas e estradas esburacadas. Combate efetivo ao desemprego? Nem pensar! Nunca há dinheiro quando se trata do bem-estar da população, embora sempre se consiga inchar de funcionários os gabinetes e as repartições públicas, pagar diárias de viagem escandalosas e aumentar vertiginosamente o salário dos políticos em exercício. Quando vemos uma obra ser projetada e anunciada com estardalhaço, logo nos vem a desconfiança e a preocupação: vai ser superfaturada, para encher de grana o bolso dos políticos ou as suas contas bancárias nos paraísos fiscais do planeta.

Há exceções neste quadro? Claro que há: as poucas exceções que confirmam a regra. Mas não é fácil continuar sendo uma exceção no nosso cenário político: o sistema é tão viciado que os políticos honestos não conseguem atuar. Ficam solitários, são boicotados, desiludem-se e desistem. Quando é que esse panorama vai mudar? Também eu não consigo enxergar qualquer luz no fim do túnel. Apenas, posso suspirar desalentada... E você, caro leitor, tem alguma sugestão milagrosa?

SER EMOCIONALMENTE INTELIGENTE
(A EDUCAÇÃO DO "CORAÇÃO") -
Maria Conceição Alves de Lima - Ago/2004

De um modo geral, a inteligência pode ser definida como a capacidade de corresponder, da melhor maneira possível, às exigências do mundo exterior.

Quando examinamos a múltiplas inteligências citadas por Howard Gardner, percebemos que, dentre elas, estão duas modalidades que não têm propriamente a ver com o intelecto humano, o famoso QI (quociente intelectual): a inteligência intrapessoal e a interpessoal. A primeira diz respeito à maneira como o indivíduo lida consigo mesmo; a segunda se refere ao relacionamento com os outros. Temos, assim, de considerar uma nova forma de inteligência, diferente da capacidade intelectual, inteligência essa que o norte-americano Daniel Goleman denominou de Inteligência Emocional ou QE (quociente emocional).

A Inteligência Emocional lida com as emoções assim como a Inteligência Intelectual lida com a razão. Na maioria das vezes, o sucesso na vida depende mais da Inteligência Emocional do que propriamente de um alto QI. No mínimo, é preciso que essas duas inteligências se equilibrem e se completem para que o indivíduo seja bem sucedido. A sociedade tradicional costumava separar a razão da emoção, o sentimento do entendimento. A nova sociedade holística, que considera o homem como um todo indivisível, ensina exatamente o contrário: razão e emoção possuem uma estreita relação entre si, sendo que o sucesso na vida depende das duas ao mesmo tempo.

De um modo geral, as pessoas costumam confundir as emoções com os sentimentos. Mas os pesquisadores dessa área consideram que existem uns poucos sentimentos básicos (raiva, tristeza, medo, alegria e amor), que se misturam entre si para criar as incontáveis emoções que invadem o ser humano. Por exemplo, o amor, o medo e raiva se juntam para formar o ciúme; a raiva associada à tristeza originaria a inveja; o amor ligado à alegria geraria o otimismo e assim por diante. Também, os sentimentos podem ficar "encobertos" pelo "estado de espírito": por exemplo, ninguém consegue ficar enfurecido por uma semana ou mesmo um dia inteiro; mas certamente ficará rabugento por um longo período.

Assim como as capacidades intelectuais, a Inteligência Emocional pode (e deve) ser treinada no dia-a-dia. Como os sentimentos não se separam dos pensamentos, é possível "tratar" os sentimentos negativos e estimular os positivos através do pensamento e da reflexão (razão). O desenvolvimento da Inteligência Emocional depende de cinco aspectos:

" Autoconhecimento
- o conhecimento de si mesmo, principalmente da própria vida afetiva; isto fornecerá a base para a
" Autogerência - o controle dos próprios sentimentos para conquistar a serenidade e superar o estresse da vida; daí vem a
" Automotivação - o não esmorecimento diante das dificuldades, o ânimo, a coragem e a persistência para encarar a vida; essas três primeiras condições acima dizem respeito à relação da pessoa com ela mesma; somente aqueles que as possuem é que conseguem desenvolver as duas seguintes, que permitem o bom relacionamento com os outros;
" Empatia - o entendimento daquilo que os outros sentem, a solidariedade com o outro, o "sentir"com ele, a compaixão pelo sofrimento alheio; só a empatia permite o
" Engajamento - o envolvimento verdadeiro com as pessoas, o sentir-se bem em operar e cooperar com elas (o convívio social de fato).

Em geral, as pessoas não prestam muita atenção à sua própria vida interior. Como é que alguém pode levar em conta os sentimentos dos outros, se não conhece os seus próprios? O inteligível e o sensível precisam se equilibrar: não dá para viver só da "mente" ou só do "coração". A experiência e a pesquisa têm-nos revelado que a qualidade de vida das pessoas depende essencialmente da sua Inteligência Emocional. Na área da saúde, por exemplo, descobriu-se que o grande risco não são propriamente os fatores físicos, mas a agressividade, a fúria, a frustração, a desconfiança, o mau humor, a ansiedade, o estresse, a depressão etc. "Quem ama não adoece", eis o título de um livro famoso escrito por um médico (de cujo nome não me lembro agora). Quem ama... isto é, quem se ama e quem ama o seu próximo... Não foi à toa que o Cristo insistiu tanto nesse amor... Até o pensamento lógico e, principalmente, a criatividade têm tudo a ver com o QE.
Inteligência Emocional... só quem "souber" é que vai tirar proveito dela. Chega, portanto, de ser emocionalmente "burro"! Desenvolva logo o seu lado emocional! Faça-se algumas perguntas e teste o seu QE:

" Você está no seu caminho? Você sabe o que faz?
" Você é tão amistoso quanto acredita? As pessoas têm medo de você?
" Você usa o seu tempo de forma inteligente? Você consegue viver por si mesmo, sem depender de outros? Lutar ou fugir? Você é rotineiro, cansativo? Você vive deixando para depois?
" Você mostra abertamente os seus sentimentos? Você consegue controlar os seus pensamentos? Você vive sob estresse? Você tem autoconfiança suficiente para confiar nos outros?
" Você é sensível? Como lida com o inesperado? Você consegue controlar o seu comportamento? Você está pronto para a autodisciplina?
" Você trabalha contra o seu próprio sucesso? Você torna a sua vida mais difícil? Você é o seu maior inimigo?
" Você pensa de forma positiva? Você é otimista?
" Você consegue "entrar na pele" das outras pessoas? Você sabe ouvir as outras pessoas? Você sabe lidar com as pessoas?
" Você é capaz de apaziguar uma briga? Você irrita os outros?
" Você é simpático? Sociável? Charmoso? Você tem coragem civil? As pessoas têm respeito por você? Você é o lado fraco das parcerias?
" Você demonstra ter caráter?

Num futuro muito próximo, para atendermos as exigências da vida, não é necessário ser um "gênio" do QI. Na realidade, o conhecimento, as informações estão sendo passados para as "máquinas". Os computadores vão nos aliviar do trabalho intelectual, assim como as máquinas mecânicas já nos aliviaram do trabalho físico. O "saber" intelectual vai se resumir a apertar a tecla certa ou a perguntar qual é a tecla certa. A tecnologia da informação permitirá a escolarização a partir do berço.

Entretanto, se essa tecnologia consegue tornar as pessoas mais auto-suficientes, elas também tenderão a tornar as pessoas cada vez mais egocêntricas, egoístas e instáveis. Aliás, o mundo do trabalho já é "multicultural" e instável. Segundo a Federação dos Psicólogos, o que se vai exigir do trabalhador do futuro não é propriamente um conhecimento intelectual, mas uma série de capacidades mais ligadas à Inteligência Emocional, como a motivação, a auto-estima, a visão, a energia, a segurança nas tomadas de decisão, a superação do estresse, a flexibilidade e a criatividade, a capacidade de lidar com os conflitos, a habilidade social, a mobilidade e a lealdade. E isto não tem sido ensinado na escola.

O importante, portanto, é cuidar para que as pessoas saibam administrar-se a si mesmas e saibam se entender umas com as outras. A Inteligência Emocional, esta não passaremos (ou não devemos passar) para os computadores! Não se trata mais da acumulação de conhecimentos e de informação, mas, para usar uma palavra antiga e muito boa, da EDUCAÇÃO DO CORAÇÃO!

SER INTELIGENTE - 2ª quinzena de julho

Maria Conceição Alves de Lima

O indivíduo que tem medo da inteligência não tem vocação para homem. É um rinoceronte infiltrado na raça humana. O homem sofre, pois, de uma fatalidade biológica: ou é inteligente ou não é homem.


A conquista da inteligência, tanto pela humanidade (filogênese), quanto pelo indivíduo (ontogênese) é o penoso e permanente processo de auto-superação de estágios anteriores. A inteligência só se manifesta nas situações novas; nas situações já conhecidas, o que funciona é a memória. A inteligência é, portanto, a capacidade de resolver problemas novos. Assim, inteligente é o indivíduo que descobre novas realidades, que inventa novos comportamentos, seja pela necessidade de superar uma dificuldade, seja pelo simples prazer de criar.

A inteligência vai-se construindo na medida que se vai descobrindo e inventando. Para a criança, o mundo deve ser reinventado e, à medida que a criança reinventa o mundo, desenvolve sua inteligência. Não existe "capacidade" inata de inventar, isto é, não existe inteligência inata (o que existe é apenas um potencial inato que poderá ou não ser desenvolvido durante a vida). Inventar é simplesmente experimentar formas sucessivas de combinações (não se inventa nada a partir do nada: "ex nihilo, nihil").

A inteligência implica sempre um ato original: quando o ato se repete, não é mais inteligência. Por outro lado, é sempre a melhor forma possível de superar uma dificuldade. O indivíduo que não é inteligente parece uma máquina (a máquina repete, infinitamente, os mesmos movimentos). Aliás, o homem passa para a máquina tudo o que é padronizado. Foi assim que ele inventou a máquina de calcular, o computador: o cálculo, a repetição, a memorização já não é um problema digno de esforço para um homem inteligente. Quando a repetição é muito evidente, ela provoca o riso (os cômicos costumam usar a repetição de gestos ou palavras estereotipadas como fonte de riso). O homem está, pois, "condenado" a não se repetir, a ser sempre inventivo.

A técnica de criar reflexos condicionados, fazendo o indivíduo repetir o comportamento ou o pensamento até que ele se fixe como um automatismo, embora válida para a aquisição de certas habilidades, não envolve a inteligência, principalmente se o indivíduo não tiver compreendido esse pensamento ou comportamento. Trata-se apenas uma amestragem, semelhante àquela que se dá aos animais irracionais.

Tudo aquilo que se baseia na imitação, que depende da aprendizagem de fórmulas, de definições, de nomenclatura não é um ensino inteligente. O ensino inteligente depende da construção do conhecimento pelo aluno, da pesquisa, da solução de problemas sem fórmulas prontas e até do ensaio-e-erro. Um professor de Matemática que fornece ao aluno a fórmula para resolver um problema está ensinando uma operação inteligente, mas não está ensinando esse aluno a ser inteligente. Pelo contrário, está ensinando-o a ser imbecil. Se o aluno é impedido de construir a solução, aprende a não inventar e se convence da sua incapacidade de resolver um problema qualquer da vida, se não lhe for fornecida a "fórmula". Decorar é apenas fixar um hábito e o hábito não é inteligência.

A educação pela inteligência consiste em propor problemas aos alunos, jamais em ensinar soluções. A solução ensinada causa frustração aos inteligentes. A verdadeira forma de ensino inteligente é, portanto, a estimulação para que o aluno encontre as soluções para os problemas que lhe são apresentados, é a oportunidade de ele experimentar combinações originais sem recorrer sempre aos mesmos hábitos. E por que isto desenvolve a inteligência? Primeiro, porque isto é uma invenção, pelo menos do ponto de vista do aluno; segundo, porque cria uma nova atitude, a atitude de formular hipóteses, de não apelar sempre para as velhas fórmulas ou tão-somente para a memória.

Há quem ache um perigo desenvolver a inteligência, principalmente no sistema educacional vigente. Por isso, é relativamente raro encontrar-se um indivíduo original ou, quase sempre, esse encontro causa mal-estar, se é que não provoca ira. É muito raro alguém ser criativo, "diferente", inventar algo sem ser criticado, perseguido durante algum tempo ou até mesmo "queimado na fogueira". Mas, se os homens inventivos são incômodos para a mediocridade, são, contudo, os únicos que permanecem na memória da humanidade.

O indivíduo que tem medo da inteligência não tem vocação para homem. É um rinoceronte infiltrado na raça humana. O homem sofre, pois, de uma fatalidade biológica: ou é inteligente ou não é homem. Tudo o que rígido não é inteligente. Os animais que não tiverem flexibilidade para mudar... extinguiram-se.

AS MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS - 1ª quinzena de julho

Maria Conceição Alves de Lima

"Por que ninguém me descobriu? Na escola, será que eles não viam que eu era mais esperto do que qualquer um? Que os professores eram estúpidos também? Que tudo o que eles tinham era informações de que eu não precisava?" (JOHN LENNON, 1980)


Neste terceiro milênio, a sobrevivência mundial depende da maior das riquezas de que se dispõe, o capital humano e, para que este não se perca, é preciso cuidar do pleno aproveitamento das potencialidades do indivíduo. Assim, cada pessoa deve ser estimulada a render o máximo que lhe permita a sua capacidade intelectual inata.
Aí é que entra a questão das múltiplas inteligências, teoria desenvolvida na década de 1980 pelo psicólogo e educador americano Howard Gardner, contestando o famoso QI tradicional e propondo a tese de que não existe uma inteligência geral, mas inteligências diferentes, autônomas e independentes, que são combinadas diferentemente em cada pessoa.
De início, Gardner considerou sete inteligências específicas, acrescentando, posteriormente, duas novas categorias, sendo que uma décima foi ainda proposta pela brasileira Kátia Stocco Smole:

a) Inteligência lingüística - Essa é a inteligência encontrada em poetas, escritores, oradores, teatrólogos, humoristas, jornalistas, advogados, atores, professores, vendedores, comunicadores de modo geral, lingüistas e gramáticos, que possuem uma grande sensibilidade em relação à linguagem - seu potencial para entusiasmar, convencer, estimular, transmitir informações ou simplesmente agradar.

b) Inteligência lógico-matemática - A característica das pessoas com talento lógico-matemático é a paixão para lidar com a abstração: números, raciocínios, problemas, modelos teóricos, padrões. Tal inteligência é típica dos cientistas, dos programadores de computador, contadores, economistas, banqueiros, matemáticos, filósofos.

c) Inteligência espacial - As características centrais dessa inteligência são as capacidades de perceber o mundo visual com precisão e recriar aspectos dessa experiência visual. Detentores de tal inteligência são os artistas plásticos de modo geral (escultores, pintores, designers, decoradores, diagramadores, fotógrafos, estilistas de moda), arquitetos, engenheiros, cineastas, navegadores, guias, inventores, cartógrafos, enxadristas.

d) Inteligência corporal-cinestésica - É a capacidade de usar o corpo de maneira habilidosa, com fins expressivos ou produtivos, como acontece com atletas, mímicos, dançarinos, atores, instrumentistas, lutadores, artesões, cirurgiões.

e) Inteligência musical - Apesar de certa relutância em se considerar essa competência como uma inteligência autônoma, a mesma surge muito precocemente na vida do indivíduo, tendo como componentes centrais o tom (melodia), o ritmo e o timbre.

f) Inteligência interpessoal - Essa é a capacidade de compreender outras pessoas, de trabalhar cooperativamente, como é o caso de líderes, administradores, assistentes sociais, médicos, psicólogos e psicanalistas, terapeutas de modo geral, enfermeiros, conselheiros, políticos, evangelizadores, professores.

g) Inteligência intrapessoal - Tal inteligência está voltada para o próprio indivíduo, envolvendo a auto-reflexão, a metacognição, a intuição e a meditação. Pode ser encontrada nos místicos de qualquer natureza, nos espiritualistas, nos filósofos, nos guias espirituais, nos orientadores de auto-ajuda, nos planejadores, nos artistas de modo geral.

h) Inteligência ecológica
- Esse tipo, sugerido posteriormente por Gardner, acha-se associado aos indivíduos que possuem uma consciência ecológica natural, a qual os leva a se envolverem com a manutenção e a preservação do meio ambiente.

i) Inteligência existencial - Tal como a anterior, esta também foi sugerida pelo autor após os sete primeiros tipos, sendo caracterizada como a inteligência das pessoas que refletem e fazem perguntas básicas sobre a vida, a morte, o universo.

j) Inteligência pictórica
- Esse tipo traduz-se como a capacidade de representar graficamente as emoções, como nas artes gráficas, por exemplo.

Uma educação holística, atual e democrática não pode se dar ao luxo de ignorar as múltiplas inteligências; ao contrário, como a plena atualização das potencialidades humanas requer que as mesmas sejam aproveitadas desde bem cedo, o período ideal para diagnosticar e trabalhar a inteligência de cada pessoa seria a Educação Infantil ou, quando muito, o Ensino Fundamental. O grande problema é que o ensino escolar não leva em consideração essas múltiplas inteligências na hora de organizar o seu currículo e os respectivos conteúdos.

Assim, o velho conceito de uma inteligência geral elimina a possibilidade de a escola trabalhar com as capacidades inatas do educando, de modo que elas sejam igualmente valorizadas, estimuladas e reforçadas. O triste é que, se não iniciarmos de imediato as mudanças necessárias, não mais teremos tempo de "alcançar o bonde da história" e continuaremos a ser a banana republic de sempre. O pior de tudo é que já teremos desperdiçado um incalculável número de "John Lennon", ou de "João do Pulo", ou de "Einstein", ou de outros inestimáveis e insubstituíveis talentos.

PARLAMI D'AMORE... 2ª quinzena de junho de 2004

(A propósito do DIA DOS NAMORADOS)

Maria Conceição Alves de Lima

E todos realmente falam.. ou cantam! Em verso ou em prosa! Os poetas e os cantores (maiores e menores, mas todos igualmente "grandes" quando "amam") sempre celebraram convicta e ardorosamente o AMOR. Por exemplo, a obra maior do maior gênio literário de todos os tempos, SHAKESPEARE, fala-nos é de AMOR: Romeu e Julieta. E nós, os comuns dos mortais, buscamos incansavelmente vivê-lo, mesmo que CAMÕES nos alerte:

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

O alerta tão antigo de nada valeu: o BARÃO VERMELHO que o diga (ou melhor, que o cante):

Por você eu dançaria tango no teto
Eu limparia os trilhos do metrô
Eu iria a pé do Rio a Salvador.

Eis porque CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE decretou:

Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

A fabulosa francesa EDITH PIAF celebrizou no mundo inteiro o seu "L'hymne a l"amour". E o nosso ROBERTO CARLOS não deixou por menos: "Como é grande o meu amor por você"! A lembrança dessas canções "eternas" tem o dom de resgatar a memória dos inesquecíveis boleros dos velhos tempos:

Amor, amor, amor
Nació de mi, nació de ti
De la esperanza…
Amor, amor, amor
Nació de Dios para los dos
Nació del alma…

Em sua irreverência atrevida, RITA LEE compara e, ao mesmo tempo, esclarece e estabelece a "diferença" que o AMOR faz:

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão.

O grande prosador (mas poeta medíocre) que foi MACHADO DE ASSIS, somente em seu desespero pela perda da amada Carolina foi capaz de compor um soneto que valesse a pena:

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
(...)
Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

TEIXEIRINHA também lamentou a perda do AMOR MAIOR, o amor de mãe:

O maior golpe do mundo
Que sofri na minha vida
Foi quando com nove anos
Perdi minha mãe querida!

E CHITÃOZINHO & XORORÓ celebram o simples fio de cabelo que restou da mulher amada:

E o hoje o que eu encontrei
Me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó(...).

FERNANDO PESSOA explica, exemplificando, esses atos de AMOR aparentemente "ridículos", através de seu poema sobre as "cartas de amor":

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
(...)
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

E VINICIUS DE MORAES conclui, filosofando:

Que eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
********************************
Também eu compus e exponho a minha "lição" de AMOR:
SUGESTÃO

Meditemos o Amor...
(Amor que se repensa, vivifica.)

Silenciemos o Amor...
(Amor não se anuncia: se pratica.)

Conquistemos o Amor...
(Amor não se presenteia, nem se "apanha".)

Cultivemos o Amor...
(Amor não se outorga, nem se ganha.)

Consolidemos o Amor...
(Amor não se arrisca, nem se rifa.)

Amemos o Amor...
E Ele nos será fiel
Até o fim!...

QUEM AMA IMPÕE LIMITES - 1ª quinzena de junho de 2004

Maria Conceição Alves de Lima

A auto-estima não é o amor por si mesmo, mas o orgulho de si mesmo.

Não somos escravos nem dos nossos sentimentos, nem dos nossos instintos. Somos livres para sentir, mas não para agir: posso muito bem sentir raiva de alguém, mas não tenho o direito de agredir essa pessoa. Só é válido lutar pela nossa vontade, quando isto estiver de acordo com a justiça - quando tivermos mais direitos do que os outros.

Em princípio, os nossos desejos são todos legítimos. Mas, em certas ocasiões, se eles forem satisfeitos, acabarão por nos causar grandes problemas. Não há nada de mais em um diabético sentir vontade de comer doce; entretanto, como isso pode matá-lo, ele precisa adquirir a capacidade de "fugir a essa tentação".

A capacidade de renunciarmos a alguma coisa em favor de um benefício maior no futuro é a principal característica da maturidade emocional, ou seja, da disciplina. Disciplinar não significa reprimir; significa tão-somente ser firme para transmitir às novas gerações os valores essenciais da vida humana.

O GRANDE VALOR A SER ENSINADO

Pais e professores são os grandes "disciplinadores" da humanidade. Na vida, uma das mais importantes tarefas é aprender a lidar com as inevitáveis frustrações e dores - tanto físicas, como psíquicas. Pessoas intolerantes (que possuem um "gênio forte" ou um "estopim curto") são apenas barulhentas e não fortes: o forte é aquele que tolera bem a dor, a frustração, a contrariedade e não aquele que berra à-toa.

O saber lidar com as dores, as contrariedades e os problemas é o que se chama de inteligência emocional, ou seja, o predomínio da razão sobre as emoções, principalmente nos momentos críticos da vida. Este é o grande valor a ser ensinado às crianças e adolescentes: que o bom senso e a razão devem prevalecer sobre os nossos desejos imediatos e insensatos.

COMO FORMAR TAIS VALORES

Num primeiro momento, quando a criança é ainda bem pequena, o único jeito é "punir" a sua conduta inadequada e "recompensar" aquela que está de acordo com a nossa expectativa. Qualquer pessoa, em seu juízo perfeito, tomará da mão de uma criança um objeto perigoso e ralhará com ela. Quanto menor for uma criança, menos freio próprio ela terá, tendendo a obedecer apenas pelo medo da "bronca".

Com o passar dos anos, esse processo não mais serve para educar e a criança normal tenderá a alterar o comportamento em conseqüência das "reflexões", isto é, das palavras, do diálogo com seu "disciplinador". Mais tarde na vida, a pessoa irá construir o seu próprio dilema, ou seja, o seu próprio freio: "Devo ou não devo fazer isto? Que conseqüências isto trará?".

O TIPO DE FREIO DE CADA PESSOA

Uma pesquisa feita por psicólogos americanos e mencionada por Flávio GIKOVATE (A arte de educar. Curitiba: Nova Didática, 2001) aponta seis grupos diferentes de pessoas, segundo o tipo de freio que funciona para elas:

Primeiro grupo - Caracteriza-se pela ausência do medo e constitui 0,5% da população. Essas pessoas destemidas sofrem mais acidentes e morrem com mais freqüência em decorrência de condutas demasiadamente ousadas. A maior parte delas quase sempre foi expulsa de várias escolas, não raramente deixaram de estudar e comumente estão envolvidas com atividades ilícitas, inclusive o tráfico de drogas. Constituem uma boa parte da população carcerária, pois poderão roubar, agir com muita violência e até matar.

Segundo grupo - São aqueles que se comportam dentro dos limites, apenas por medo de represálias externas e representam cerca de 10% da população. Não é raro que, num bando de delinqüentes, o chefe seja do primeiro grupo e os seguidores, do segundo; o fato é que eles temem o "chefe" e, por isso, o obedecem cegamente.

Terceiro grupo - É o grupo daqueles que, além de temerem as represálias externas, sentem medo do castigo divino: não se trata de uma verdadeira moralidade, mas sim do temor de um castigo invisível. Esses tenderão a ser fanáticos, não por uma convicção religiosa, mas por medo de retaliações sobrenaturais. Constituem 15% da população.

Quarto grupo - Esse grupo corresponde àqueles que, além do medo, sentem vergonha de contrariar os valores sociais A vergonha tem uma relação direta com a vaidade, com o medo da humilhação, sendo particularmente intensa nos pré-adolescentes e adolescentes. Este grupo constitui 25% da população.

Quinto grupo - Corresponde àqueles que respeitam as regras do convívio social, mesmo quando não há o medo de represálias, porque o fazem por uma dolorosa sensação de culpa. Constituem 20% da população, que, demasiadamente apegados ao conceito de certo ou errado, acabam por se comportar de maneira muito rígida, sendo rigorosíssimos consigo mesmos e com o próximo. Em princípio, aparentam ser pessoas corretíssimas, mas trata-se de uma falsa maturidade, pois são, na verdade, pessoas retrógradas, estéreis e sem "jogo de cintura". Adolescentes obrigados a se tornarem adultos muito depressa tendem a se tornar membros deste quinto grupo, porque, expostos a responsabilidades grandes demais antes da hora, acabam se tornando pessoas tensas e ansiosas, quando não depressivas.

Sexto grupo - São aqueles que conseguiram o pleno desenvolvimento de um efetivo senso moral e correspondem a 30% da população. Esses são os indivíduos que internalizaram um conjunto de valores que lhes permite interpretar cada situação de modo diferente e adequado: por vezes se calam diante de situações agressivas, por vezes, reagem. Tudo depende de cada caso. Um bom juiz seria um exemplo deste grupo: para ele, crimes parecidos poderão merecer penas diferentes, dependendo das atenuantes e agravantes. Tais pessoas não são generosas, nem egoístas: são justas, agem com firmeza em defesa de seus direitos, respeitando, porém, o direito dos outros. Sua vaidade não está vinculada ao fato de serem "durões" ou "bonzinhos".

O QUE FAZERMOS COM OS "TIPOS" ACIMA?

Primeiramente, não cabe a pergunta, que apenas revela uma sensação de culpa individual: "Onde foi que errei?!". Há criaturas mais difíceis de serem educadas e ninguém é emocionalmente ou moralmente pouco evoluído por vontade própria. As pessoas menos evoluídas não serão objeto de nossa raiva, mas sim de compaixão e solidariedade.

Aqueles que só respondem positivamente por medo de represálias deverão ser intimidados. Podemos escolher entre recompensar as atitudes positivas e punir as negativas. Para uma melhor evolução futura, as crianças devem ser conscientizadas de que as pessoas boas sentem-se bem consigo mesmas e são mais felizes.

É importante ensinar as crianças e jovens a lidarem melhor com frustrações e dores. Isso se faz ao não se tolerar suas reações violentas quando são contrariadas, ao não se poupar as crianças de nenhum tipo de sofrimento necessário e inerente à vida, ao evitar comportamentos estourados e intolerantes diante deles.

QUEM AMA, IMPÕE LIMITES

Nossos filhos e alunos, amados e paparicados, tornam-se profundamente egoístas e, portanto, invejosos, porque não aprenderam a lidar com as dores da vida. Não aprenderam que as relações humanas são baseadas na troca mútua, em que se deve não somente receber, mas também doar. Os pais e professores desta geração foram grandemente influenciados pelas novas teorias psicológicas, segundo as quais o mais importante era dar amor a seus filhos ou alunos. No entanto, o que é exatamente dar amor a uma pessoa?

Não existe amor incondicional. Após uma certa idade (aos 5 anos, digamos) sempre se deve esperar alguma retribuição pelos nossos atos de amor. A isso se chama de socialização. Afinal, ninguém pode, em sã consciência, gostar da companhia de alguém que a maltrate, agrida e a ofenda - ainda que seja filho. E, se gostar, necessita urgente de uma ajuda psicológica.
Assim, cabe à família e à escola serem claros em manifestar o que esperam dos filhos e alunos. A escola precisa se guiar por regras claras: mesmo sendo compreensiva para com os problemas dos alunos, nunca irá abdicar de seu papel de autoridade.

A família também deve ser igualmente clara em manifestar o que espera de seus filhos, sem "ter medo de perder o amor deles". Escola e família não deverão jogar nas costas, uma da outra, a sua própria obrigação; ambas têm de pregar, praticar e exigir a justiça, a honestidade, a delicadeza no trato das pessoas e o respeito pelas diferenças individuais. Contribuir para isso é a melhor prova de amor que se pode dar!

QUERO UMA LÁPIDE DE PEDRA BRANCA

2ª quinzena de maio/2004

Maria Conceição Alves de Lima

Este poema é dedicado a todos aqueles que vão imolar suas vidas nas pedreiras da Ventania.

Promessas são sagradas
E consagradas,
Principalmente se respondem a um último desejo:
"QUERO UMA LÁPIDE DE PEDRA BRANCA!"

O pó branco da branca pedra
Me seduziu...
Me envolveu...
Me invadiu...
Me mutilou...
E me perdeu!...

"A BRANCA PEDRA DO BRANCO PÓ,
QUE SEJA, ENTÃO, A MINHA LÁPIDE!"

O branco pó de pedra
Primeiro, me alimentou,
Depois, comeu-me as entranhas,
Mudou-me a sorte,
Sugou-me as forças,
Decretou-me a morte!

"QUE SEJA, ENTÃO, A MINHA LÁPIDE,
A BRANCA PEDRA DO BRANCO PÓ!"

Branca pedra que orna palácios
E constrói mansões
(Mas que destrói famílias e ilusões),
Branca pedra que enriquece vidas
(Mas enrijece corações)
- Insensíveis corações de pedra,
Descompromissados com as futuras gerações -

"BRANCA PEDRA, SEJA, ENTÃO, A MNHA LÁPIDE!"

A dor é fera, bem sei!
Fera ferida de um viver banal.
Pó branco de pedra,
Pó fatal,
Letal,
Que gera dor mortal!

Choram viúvas e órfãos...
Chorem, também, indefesas criancinhas
E desvalidos anciãos,
Que o branco pó da pedra branca
Envolve a incauta cidade,
Ronda a sua imperceptível fragilidade...

"BRANCA PEDRA DO PÓ BRANCO,
QUERO-TE PLANTADA EM MEU TÚMULO,
TESTEMUNHA INCONTESTE
DA HISTÓRIA DA MINHA MORTE!...

TRABALHO OU EMPREGO? 1ª quinzena de maio/2004

Maria Conceição Alves de Lima

Dia 1º de maio comemoramos (com um feriado!) o DIA DO TRABALHO. A propósito dessa comemoração, o que mais tem se evidenciado nestes últimos anos é a questão do desemprego no país (que o governo "salvador" do PT está longe de resolver). Aliás, o "vírus" da falta de emprego parece estar se alastrando para outros mercados, tais como os Estados Unidos e a França, até então tidos como imunes a essa "doença" terceiro-mundista.

Em tempos eleitoreiros, todos os nossos candidatos prometem resolver o problema do desemprego e nós, os eleitores, até que tentamos acreditar mesmo nessa quimera, esquecidos ambos (elegíveis e eleitores) de que a questão é bem "mais em baixo" (ou "mais encima"?) do que supõe a nossa vã esperança. Basta colocar os óculos da realidade globalizada para percebermos que a questão transcende a simples vontade politiqueira de gerar empregos como num passe de mágica.

Há vários anos que um futurologista americano, ALVIN TOFFLER, já nos havia alertado para o advento da terceira onda, ou seja, do tempo em que a alta tecnologia iria substituir a mão-de-obra braçal pouco escolarizada, criando o chamado desemprego tecnológico. Eis que tal onda chegou, pegando de calças curtas somente os desavisados de má-fé. Agora, a única solução é encará-la ... com tecnologia educacional.

Assim, qualquer proposta séria de "criar" novos empregos não tem como funcionar no curtíssimo ou mesmo no curto prazo, já que passa necessariamente pela volta dos desempregados atuais à sala-de-aula e pela manutenção e ingresso de toda as novas gerações numa escola competente e competitiva. A bem da verdade, os "novos" empregos já aí estão. O que falta é habilitação para exercê-los. Portanto, brasileiras e brasileiros, não se iludam. O desemprego tecnológico veio para ficar. O que nos resta a fazer é educar os nossos atuais e futuros candidatos a emprego.

Há também uma outra questão que não pode passar em branco na agenda dos trabalhadores e, principalmente, dos políticos nesta e em futuras comemorações do DIA DO TRABALHO: a grande diferença entre trabalho e emprego. Sim, porque embora faltem empregos, jamais faltará trabalho, até porque o próprio Deus nos garantiu isso, quando nos "condenou" a trabalhar dizendo: "comerás o pão com o suor do teu rosto".

Há tempos que as relações de trabalho vêm se alterando na conjuntura mundial, mas a nossa legislação trabalhista se imobilizou, deixando de acompanhar a mudança de milênio. Novas formas de gestão do trabalho vêm acontecendo, substituindo o empregado pelo parceiro, o vínculo empregatício pela terceirização, a carteira assinada pelo contrato flexível de trabalho. Mas a ganância arrecadadora do governo e a mentalidade burocrática do país insistem numa legislação caduca.
Assim, o emprego, tal como o conhecemos, está desaparecendo, transformando-se; mas o trabalho, que é inerente à condição humana, permanecerá, ainda que se desloque do simples agir para o refletir/criar. Pode ser que até mude de nome (sabiam que a palavra trabalho deriva do termo latino tripalium, um terrível instrumento de tortura composto de três paus?), para algo mais agradável e prazeroso, ligado, quem sabe, a missão, projeto de vida, realização pessoal... Mas, sem dúvida, permanecerá. E isto nos será um grande consolo e uma bela lição.

Há, pois, que se cultivar o trabalho, amá-lo e acreditar que ele nunca nos faltará. E, uma vez que o estilo de trabalho acompanha o estilo da civilização onde se insere, há, principalmente, que se preparar adequadamente para ele, educando-se condignamente para exercê-lo de acordo com as novas características deste novo tempo. Então, que se danem a "colocação" e até o emprego. Viva o trabalho!

IGNORÂNCIA E PREPOTÊNCIA - 2ª quinzena de abril de 2004

Se estou dentro da norma, estou /sou normal. Muita gente, entretanto, que fala estritamente dentro da norma de seu lugar de origem, é exposta publicamente ao ridículo por pessoas que se julgam juízes do "certo" e do "errado" da fala alheia.

Esse é o caso da Big Brother Solange - a mulata Sol (se o termo "mulata" for politicamente incorreto , desde já antecipo o meu pedido de desculpas e altero para "afro-brasileira") - , que era constantemente criticada e corrigida por outros brothers do programa. Em um determinado momento, inclusive, foi taxada de "burra" devido aos seus "erros" de linguagem.

Nada há de mais imbecil e preconceituoso do que implicar com a linguagem alheia. Imbecil, pois, em termos científicos, isto é, em termos da Lingüística (a ciência da linguagem), "certo" é o que se enquadra dentro das normas de uma comunidade e "errado" o que foge dessas normas.

Assim, de acordo com a enorme variedade de indivíduos e de comunidades encontrados numa sociedade, existe uma considerável variedade de modos de falar: a língua dita "culta" a língua popular, a linguagem técnica ou profissional, o dialeto regional, a gíria etc. etc. etc.

Nenhuma dessas normas é, cientificamente, melhor ou pior que as outras: apenas são diferentes, ou seja, são variações da mesma língua, no nosso caso, o Português. O que leva certas pessoas a criticarem o jeito de falar dos outros chama-se preconceito lingüístico e, como todo preconceito, é filho da ignorância e da prepotência.

Já vi muito adulto implicando com a gíria dos jovens. Já presenciei crianças levando bronca ou tapa na boca, por conta de falar "palavrões". Já fui professor de encher o saco dos alunos porque eles falavam a sua linguagem popular. Já se registrou até o caso de um deputado que quis multar os "estrangeirismos".

Hoje, lamento tudo isso. A gíria é a maneira de os jovens expressarem a busca da identidade própria de sua idade; o baixo calão ("palavrão") é a linguagem emocional da raiva incontida; a linguagem popular é a língua nossa de cada dia, usada nas situações informais; o termo estrangeiro faz parte da cota de importação cultural, que ninguém consegue coibir.

É claro que a situação acima se aplica principalmente à língua falada, muito diferente da escrita. Esta é uma tecnologia formalmente aprendida (na escola) e que tem a sua norma própria, convencional e da qual não se pode fugir também. A língua falada é diferente: em primeiro lugar, é aprendida naturalmente, no seio de cada grupo social, a começar pelo berço materno e pela região onde se vive, prolongando-se até o tipo de profissão que se exerce. Em segundo lugar, língua é como roupa: cada ocasião tem a sua (ninguém vai à igreja de biquíni e nem à praia de paletó-e-gravata).

Cuidado, pois, caro falante! Ao criticar a linguagem alheia, faça-o consciente de que ninguém é "dono da língua" e de que a sua implicância não revela "cultura" ou sabedoria; antes, denota tão-somente ignorância e prepotência.

Maria Conceição Alves de Lima

ORAR EM TEMPO DE PAIXÃO - 1ª quinzena de abril/2004

De novo, é Páscoa (a divina "passagem" para a libertação e o renascimento) e o fenômeno do AMOR mais uma vez se renova na celebração da PAIXÃO DO CRISTO. Tempo de parar, tempo de dar um tempo no tumulto da vida, de refletir... TEMPO DE ORAR!
Que oração escolher, entretanto, dentre as tantas que podem se elevara até os Céus? Com certeza, a oração que Jesus nos ensinou, o PAI NOSSO.
Acostumados, porém, com a fórmula corriqueira que as igrejas difundiram através dos tempos, poucos conhecem a sua forma original, aquela realmente invocada pelo Mestre, que está escrita em aramaico (a língua falada por Jesus), numa pedra branca de mármore, em Jerusalém, no Monte das Oliveiras e cuja tradução direta (sem a interferência das igrejas), nos mostra a sua verdadeira profundidade, beleza e verdade.
Inspirada por essa invocação admirável, unindo o meu ao espírito de todos aqueles que, nesta Páscoa, reverenciam o sacrifício do Divino para resgatar o Humano, eu me proponho a rememorar, a partir da fórmula comumente utilizada, aquilo que Neil Douglas-Klotz traduziu como A ORAÇÃO DO COSMO:

"Pai nosso..."
Sei que o Teu nome está muito além da palavra; todavia, ouso dizer que, mais que meu pai, és minha mãe, és a matriz de todas as coisas, a respiração da minha alma, a fonte do meu tudo...

"Que estais no Céu..."
Não, não concordo que tenhas escolhido o Céu para habitar, quando o meu coração está aqui, à Tua disposição! Creio firmemente que estás é aqui mesmo, no coração de cada homem... E uma vez que Teu Céu é aqui, focaliza a Tua luz dentro de nós e entre nós, para que possamos tornar suportável a vida neste vale de lágrimas...

"Santificado seja o Vosso nome..."
Santo o Teu nome já é, sempre foi e será. Ajuda-nos, agora, a santificar o nosso, para que a alcunha de humano não seja sinônimo de crueldade, miséria e sofrimento.

"Venha a nós o Vosso reino..."
Estabelece o Teu Reino de unidade aqui e agora. Que o Teu e o nosso desejo, sejam um só, pois, assim, perceberemos a Sabedoria que existe em tudo. O Teu desejo uno atue, então, com o nosso, pois, como Teus filhos, pertencemos ao Teu Reino, herdamos de Ti a mesma divina essência, somos imagem e semelhança Tua.

"Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu..."
Permiti que o nosso eu, no mesmo passo, possa estar com o Teu, para que caminhemos como Reis e Rainhas, com todas as outras criaturas, como sempre foi da Tua vontade. E assim, quando a Tua vontade (que é também a nossa) prevalecer, nada impedirá que haja um Céu na Terra.

"O pão nosso de cada dia nos daí hoje..."
Dá-nos, todos os dias, o que necessitamos, em pão e entendimento, em percepção e sentimento. Dá-nos, sobretudo, a compreensão de que, com o verdadeiro entendimento de Tua vontade, jamais nos faltará o pão que alimenta o corpo e o amor que alimenta a alma.
"Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos tem ofendido..."
Desfaz os laços dos erros que nos prendem, assim como ajuda-nos a soltarmos as amarras com que aprisionamos a culpa dos nossos irmãos. Livres da culpa e do ressentimento, poderemos, enfim, prosseguir serenos, libertos da ansiedade, da depressão e do pessimismo que constroem o inferno nesta e na outra vida.

"Não nos deixeis cair em tentação..."
Não nos deixes ser tomados pelo esquecimento de que és Tu o Poder e a Glória do mundo, a Canção que se renova sempre e que a tudo harmoniza e embeleza. Não permitas que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iludam, mas previna-nos de tudo o que nos detém na caminhada para o Bom, o Belo e o Eterno.

"Mas livrai-nos do mal..."
Liberta-nos de tudo aquilo que impede o nosso crescimento, a nossa maturidade, a nossa realização como indivíduos e como coletividade. Permita-nos ser pastoreados pelo Teu Amor, pois, participando conscientemente do Teu rebanho, compreenderemos, enfim, que somos todos irmãos, não importa a cor da nossa pele, a língua que falamos, o valor da roupa que vestimos. E que, pela aceitação plena dessa verdade, estaremos, de fato, protegidos de toda a maldade interior e exterior.

"Amém!"
Assim é...
E que assim seja!...

 

AUTO-ESTIMA, ÉTICA E COMPROMISSO DO PROFESSOR - 2ª quinzena mar/2004

Freqüentemente recebo convites para ministrar palestras na área de educação. Numa dessas ocasiões, enquanto lia o pedido de uma escola para falar sobre AUTO-ESTIMA, ÉTICA E COMPROMISSO DO PROFESSOR, a voz de Elis Regina, ao fundo, como que "saltou" para dentro de minha consciência: Caía/ A tarde como um viaduto/ Um bêbado trajando luto/Me lembrou Carlitos... E aí, então - não sei bem porque - isto me lembrou... o professor!

Continuei rapidamente a leitura e a voz maravilhosa de Elis também continuava: A Lua/ Tal qual a dona do bordel/ Pedia a cada estrela fria/Um brilho de aluguel... Neste exato momento, eu me dei conta do desafio que me era solicitado e (confesso) tive receio de aceitar a incumbência: não seria também pedir a uma estrela fria (o professor) um brilho de aluguel (uma ética e um compromisso de quem anda com a auto-estima tão pisoteada)?

Voltei a me lembrar de Carlitos... aquela famosíssima figura trágico-cômica, uma espécie de palhaço sofredor... e sonhador... E voltei a lembrar-me do professor!... Triste figura, o professor! Uma espécie de eterno D. Quixote, "o cavaleiro da triste figura", a lutar a sua sagrada luta contra ... "moinhos de vento", alvo da pena e da zombaria da maioria das pessoas! Como D. Quixote, temos prosseguido em nossa "terrível", árdua e espinhosa profissão em troca de uns magros e chorados vinténs, pagos com atraso e com má vontade! Como se explica isso? Só pode ser por quixotesco idealismo!

De novo a imagem de Carlitos retornou: o palhaço e sua criança, tão sós e desvalidos! Da mesma forma que nós professores, quando adentramos a sala de aula: sós - e muitas vezes desvalidos de recursos, de apoio e até de preparo - para encarar, numa uma, mas um bando enorme de alunos-crianças de qualquer idade (porque o aluno, do zero aos cem anos de idade, sempre nos entrega cegamente a sua ânsia ou a sua "raiva" de aprender...).

Acima e por cima, como que a nos esmagar, o sistema: uma engrenagem na maioria das vezes emperrada quando se trata de nos amparar, mas que nos atinge como um trator quando nos faz descer goela abaixo pacotes de normas, parâmetros, exigências, modismos pedagógicos etc., mal-alinhavados, mal-compreendidos e, portanto, indigestos... A mudança muitas vezes nos é exigida não como uma necessidade natural da realidade que nos envolve, mas como uma exigência para cumprir metas politiqueiras e sonhos insanos de gabinetes que não costumam por o pé na sala de aula real.

Nesse labirinto de encontros e desencontros educacionais, quase sempre nos perdemos... E após muita luta e canseira, quando parece que encontramos o fio da meada, outro labirinto já se configura, outros nós mais complicados já estão em andamento... E essa nossa confusão diante de tamanho caos irrita a sociedade e enfurece o sistema. Nossos alunos, por sua vez, pressentem e sentem a tormenta... e se defendem como podem: alienam-se, fugindo de nós ou nos ignorando, cometem fraudes, boicotando a sua aprendizagem e desrespeitando o nosso ensino. No fritar dos ovos, quase sempre é-nos imputada a maior parcela de culpa pelo fracasso: somos tidos com irresponsáveis, vagabundos, descomprometidos...
Enfim, uma vida de cachorro!...

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Valeu a pena?!... Vale a pena?!... Será que um dia vai valer a pena?!...
Eis aí um enigma, que somente pode ser respondido pela voz do poeta Fernando Pessoa:
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena

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Para passar o Bojador
É preciso ir além da dor...
E foi a coragem de enfrentar e ultrapassar a tormenta que o Bojador transformou-se, posteriormente, no Cabo da Boa Esperança... Quem sabe, da nossa esperança como educadores!...
Em verdade, eu me recuso a acreditar que, quem se dispõe a ser professor neste país tenha uma alma pequena! Com tantas outras profissionais bem mais rendosas e bem menos penosas para escolher, somente alguns "insanos" e idealistas decidem-se a ser um Carlitos, um D. Quixote na vida! No entanto, continuamos a luta, a nossa alma não é pequena e iremos além de toda a dor que nos couber para garantir a continuação do progresso da civilização humana. Porque é isto o que de fato, fazemos, diga o que disserem!... Todos os profissionais do passado, do presente e do futuro foram, são ou serão moldados por nossas mãos de professores (aliás, essa á afirmação mais óbvia que se poderia fazer).
Pode ser que o futuro nos reserve uma sociedade sem escola, pelo menos nos moldes desta que conhecemos. Pode ser que as máquinas venham a executar parte de nossas funções atuais, como já ocorre na rede mundial de computadores, a Internet. Há indícios de tudo isso e muito mais neste do terceiro milênio! Mas de uma coisa tenho certeza: por detrás de cada cada máquina miraculosa de ensinar, tem de haver um homem, que sempre irá ostentar o título de professor. Não há dúvidas: os recursos mais poderosos da humanidade sempre serão os recursos humanos!

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Portanto, alegremo-nos: nada está perdido! Vamos à luta!
Sim, porque há algumas coisas realmente necessárias (a bem da verdade, bem poucas) que precisamos fazer para reverter o processo de nossa desqualificação como pessoas e como profissionais. Esse pouco, aliás, bem que poderia ser o nosso compromisso de vida.

Em primeiro lugar, o compromisso com a nossa valorização pessoal, isto é, que não aceitemos ser pessoas de segunda categoria, que tenhamos idéias e objetivos próprios, que exerçamos a nossa crítica e autocrítica. Ao assumirmos tal compromisso, não nos omitiremos diante do desrespeito à nossa pessoa, não nos deixaremos explorar seja lá em nome do quê ou de quem for, não nos submeteremos a qualquer tipo de opinião preconceituosa. Manteremos a nossa serenidade diante de qualquer provocação e acreditaremos na nossa capacidade histórica de construir o mundo. Acreditaremos, enfim, em nós mesmos, seremos os sujeitos de nossa própria história e nos amaremos apesar de tudo e de todos.

O compromisso anteriormente mencionado, com a valorização pessoal, já embute, necessariamente, o compromisso com a nossa vida profissional. Não aceitaremos ser irresponsáveis ou vagabundos profissionais. Não aceitaremos ser, também, incompetentes. Lutaremos pela nossa qualificação e atualização profissional com unhas e dentes. Investiremos, antes de tudo, em nosso próprio desempenho profissional. Também não esperaremos que outros venham nos apontar as nossas limitações. Nós próprios buscaremos esse feedback, que nos conscientize de nossas falhas e nos torne atentos aos nossos erros. Lavaremos a nossa própria roupa suja. E principalmente adotaremos uma prática pedagógica reflexiva: passaremos a analisar constantemente o nosso ensino, os seus resultados e as suas conseqüências para todos. Seremos os nossos mais autênticos críticos e buscaremos, nós mesmos, as mudanças necessárias.
Tudo isso (e muito mais) faremos com certeza, desde que não o tentemos fazer sozinhos. Diz o velho ditado que se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come. Mas, se nos unirmos, o bicho foge!...

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Ao finalizar, relembro outra vez Carlitos. No último filme mudo do grande palhaço e da história do cinema intitulado Limelight,e traduzido para Luzes da Cidade (de fato, o som já fizera a sua entrada triunfal na tela, mas Charlie Chaplin decidiu que o seu último filme seria mudo, apenas teria uma inesquecível trilha musical), aparece um trecho de canção maravilhoso que nos ensina o seguinte:
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações!

 

A vez e a voz da poesia - 1ª quinzena mar/2004

Nem só de tecnologia vive o homem... às vezes, é preciso parar... e sonhar... ou "brincar" de cantigas de rodas para comemorar o amor!...

CANTIGAS DE BRINCAR DE DESAMOR

I
Cadê o amor que estava aqui?
E era tão meu!
- Outra gata comeu!
Cadê a gata? (Insensata gata!)
- Fugiu da raia...

E o desamor descruzou
Para sempre
Dois caminhos que podiam ter dado certo.

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II
Hoje eu sei com convicção:
"Se eu fosse um peixinho
e soubesse nadar..."
Não, eu não tirava você
Do seu mentiroso mar
De carências!

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III
O cravo NÃO brigou com a rosa!
Fez pior:
Mentiu e enganou...
A rosa, esta sim,
Ficou despedaçada!

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IV
Ciranda, cirandinha...
Ai, vida minha
Que desandou a cirandar...
(E eu não consegui dar nem a meia volta,
Quanto mais a volta e meia!)

O anel que tu me deste
Não era vidro, era OURO mesmo!
(Mas eu joguei fora de tanta dor!)
O amor que tu me tinhas
NÃO era pouco (assim dizias!)
Mas se acabou!...

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V
Atirei o pau ...
Mas a tua lembrança não morreu.
(E até hoje eu vivo estupefata
Da força da tua saudade!)

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VI
"Este mundo é uma bola
A girar constantemente..."
(Será por isso que eu ando, que ando
E nunca saio do lugar?)

"Vou sair por este mundo
Dando voltas tão somente!"
( Quem sabe eu consiga, enfim,
Dar a volta por cima?!)

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Conceição Alves de Lima
02/03/2004

OS NOVOS ANALFABETOS - 2ª quinzena fev/2004

Você, leitor desta coluna, bem que poderia fazer a sua boa ação de hoje, divulgando o alerta abaixo para aqueles que "nem pensam" ou ainda não conseguem acessar o Ventaniaonline (ou qualquer outro site do "Admirável Mundo Novo" virtual!)

Estudante, professor, profissional de qualquer área, c-u-i-d-a-d-o! Você está correndo um enorme risco de se tornar de novo analfabeto! Impossível? Claro que não! Se você nunca ouviu falar da cibercultura e do ciberespaço, se você não sabe surfar na WEB, então você já é um novo analfabeto digital, um excluído (ou não-incluído) na sociedade virtual do terceiro milênio.

O mundo de hoje é palco de uma grande mutação do conhecimento. Segundo alguns filósofos (citados pela formidável Marilena Chauí), o conhecimento levou 1.750 anos para duplicar-se pela primeira vez, no início da era cristã; depois, passou a duplicar-se a cada 150 anos, depois a cada 50 anos e estima-se que, a partir de 2000, já esteja se duplicando a cada 73 dias.

Isto impõe a necessidade do aprendizado permanente ou continuado, que não mais se confunde com os anos escolares, deixando de ser a preparação para a vida para se tornar educação durante toda a vida. Assim, embora "formadas", as pessoas têm de "reaprender" seu trabalho praticamente todos os dias, atualizando e reciclando conhecimentos e instrumentos.

Também, os saberes não moram mais num local físico ou mesmo fixo: não estão mais nos livros, nas bibliotecas, na memória das pessoas. A morada do saber é agora uma região virtual, "abstrata", situada na rede mundial de computadores, a WEB e acessada pela Internet. Isto é o que constitui o ciberespaço, a região dos mundos virtuais. Os grandes projetos técnico-científicos contemporâneos, a operação dos grandes sistemas (financeiros, empresariais, de energia, do governo etc.), o conhecimento disponível no mundo estão todos suspensos no ciberespaço e dependentes das máquinas digitais.

A cada dia, novos computadores chegam à Internet. O ciberespaço, ou seja, a interconexão dos computadores do planeta, em breve constituirá o principal equipamento coletivo internacional da memória, do pensamento, da produção, da gestão e da comunicação, fazendo com que novas formas de acesso à informação, novos estilos de raciocínio e conhecimento possam ser partilhadas entre um grande número de indivíduos, originando uma nova espécie de inteligência coletiva da humanidade, a cibercultura ou a nova sociedade do conhecimento.

A WEB tampouco está parada no tempo. Aumenta, mexe-se e transforma-se sem parar. Fala-se até de um segundo dilúvio, o dilúvio de informações, esse saber imensurável que parece flutuar no espaço, deixando em nós uma sensação de impotência e de desorientação. Mas, para o melhor ou o pior, esse dilúvio não será acompanhado por nenhum refluxo. O que salvar do dilúvio? O que é que colocaremos na arca?

Assim sendo, a função principal da escola não pode mais ser uma «difusão dos conhecimentos», executada doravante com uma eficácia maior pelos meios digitais. Sua competência deve deslocar-se para o lado do incentivo para aprender a pensar e, principalmente, aprender a aprender. O professor torna-se, assim, um incentivador da inteligência coletiva dos grupos e sua função passa a ser a de ensinar o aluno a aprender a aprender.

O quadro que acabamos de pintar não é mais uma "utopia futurista" para daqui a muitos anos. Está acontecendo agora, no nosso mundo, sob os nossos narizes. Se taparmos os olhos e fecharmos os ouvidos, já teremos perdido o "bonde da história" e estaremos submergindo rapidamente numa nova tragédia social: o inferno dos novos excluídos sociais, os analfabetos digitais.

VENTANIA ONLINE - 1ª quinzena fev/2004

Ventania, quem diria, está on-line! E como tal, Ventania agora é internet-onal. Isto merece uma comunicação formal ao mundo (em inglês, a língua global): Ventania is online. Porém pensando melhor (já que no inglês a expressão não muda mesmo), na hora de traduzir convém dizer que Ventania é online. Assim fica mais definitivo, mais permanente e expressa melhor o nosso desejo de que a Ventania nunca mais fique "por fora", off-line. Dessa forma, online, podemos declarar com pompa e circunstância que a Ventania adentrou (não somente entrou descuidadamente, por falta de opção, mas adentrou tecnologicamente) o século XXI, o badalado terceiro milênio.

É bem verdade que nem tudo mudou nesta nova Ventania online: a bolinha que demarca Alpinópolis (o apelido oficial da Ventania) no mapa do Brasil ainda tem (desde que ali foi inserida) o mesmo tamanho. Mesmo que todos os dias nasçam novos ventanienses e que, uma ou duas vezes por ano, algum imigrante aporte por estas bandas, como toda semana morrem dois ou três e a cada início de ano uma leva da moçada da terra parte em busca de um novo rumo educacional ou profissional, não há, pois, como engordar a bolinha geográfica da Ventania.

Continuamos tendo congada e reisado no Natal, nossos poetas ainda manuscrevem suas obras, ainda se fazem cortejos fúnebres a pé, a cidade pára todo dia para rezar as Ave-Marias e, nos botecos, até altas horas, um som sertanejo sai furioso de algum carro ali estacionado, sem incomodar a polícia (somente incomoda a vizinhança!). Também o povo continua a assistir, indiferente, ao desmonte de nossos montes, no afã de se extrair a preciosa pedra branca que vai atapetar ricos cenários inclusive internacionais, num ritmo tal que, dentro de pouco tempo, de nossa paisagem verde-branca só vão restar os clubes Serra Verde e Pedra Branca.

Ainda assim é muito promissor que a Ventania já esteja online. Quem sabe esses novos ventos da modernidade, somados ao ventinho frio de sempre, irão acordar de vez o povo alpinopolense de sua letargia política, profissional, educacional etc., fazendo aflorar uma nova consciência cidadã que provoque uma virada digna da reputação de inteligência de nosso povo: mais saúde, mais educação, mais empregos, mais atividade cultural e esportiva, maiores cuidados com as nossas ruas, praças e jardins, mais respeito às nossas crianças e idosos, maior responsabilidade civil e fiscal por parte das autoridades e das instituições locais!

A Ventania já está online... E os ventanienses, quando é que deixarão de ser off-line?...

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A VIDA EM DÉBUT
Maria Conceição Alves de Lima

PRIMEIRO DÉBUT

A DOIS OLHOS VERDES (Lira dos 15 anos)

Vontade de olhar
Pro teu olhar
Cor do mar
E chorar...

Cantar
Poemas ao luar
Pra celebrar
A luz do teu olhar...

Vê-lo sorrir
E sentir
Doirar o mundo
Um sol fecundo...

Esquecer
Que amo você
Sem poder
Nem tentar...

Dar-te o universo
Ou fazer-te um verso
Dormir...
Sonhar...

SEGUNDO DÉBUT
CLASSIFICADO DE JORNAL

Minha porta,

Relva morta...

Minha vida,

Indefinida...

Meu futuro,

Tão escuro...

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Quem me encontrar,
Favor avisar no endereço tal !...
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::


TERCEIRO DÉBUT
DESALENTO

Metade da vida
Vivi ferida...
A outra metade,
Ferindo...

E entre a dor
E o desamor,

E.............
S.......
V
......A
...........I
.........................U -se-me
...........................O tempo...
E a FELICIDADE !...